A Vida por Um fio…

bannerSentada na praia Kael se lembrava da tarde em que acordou do coma… no hospital… Toda dolorida. Mal conseguia pensar. A dor era só no que conseguia pensar naquele momento. De quanto doía cada cantinho do seu ser. Não conseguia se mexer e nem falar. Os olhos giraram para um lado, para o outro… mas na posição que se encontrava ela conseguia apenas ver o teto branco.

O que foi que aconteceu comigo? Eu morri? Não… se eu estivesse morta esta não estaria tão dolorida ela raciocinou. Então por alguns segundos desejou estar morta. Respirou fundo… respirar doía. Se eu não estou morta, onde diabos eu estou… num hospital aparentemente. Tentou mexer a cabeça, o corpo não obedecia… Ahhh meu Deus o que eu… eu… eu… quem sou eu?

Não se lembrava de nada… não sabia quem era, onde estava, o que havia acontecido que a deixara naquela situação desagradável. Meu Deus!!! Desesperou-se. Quis gritar, não pôde… os olhos se encheram de lágrimas o coração disparou, medo, raiva, frustração. Seria difícil descrever o que estava sentindo. Ouviu os aparelhos apitando loucamente e uma enfermeira entrou apressada no quarto.

– Mas o que pode ter… – a mulher passou por ela resmungando. – Meu Deus, disse finalmente reparando na paciente, você acordou! Logo chamou outras pessoas, chamou o médico enquanto falava alegremente com ela, checava os sinais vitais. – Doutor, ela acordou. disse assim que o médico entrou no quarto e pôs-se a examiná-la. Eles não demoraram a perceber que ela compreendia o que eles falavam mas não conseguia se comunicar muito bem… apenas através dos olhos, uma piscada, duas piscadas, sim… não… Tentaram a acalmar. Era esperado que seu corpo reagisse assim… ficara muito tempo em coma … meses…

Coma??? Mas como??? O que aconteceu??? Ela queria perguntar. Você sofreu um grave acidente de carro. O médico respondeu à sua pergunta não proferida. Fora da cidade. Ela havia sido trazida numa unidade móvel de tratamento intensivo. Seu tio ficaria feliz em vê-la acordada… Tio??? Que tio??? Lembrava-se muito bem do dia que Tio Gamaliel entrara no quarto do hospital… ele não viera no dia em que ela acordara demorou uns dois dias… ela ainda não conseguia falar, mas ficava a maior parte do tempo acordada agora, lutando com as dores. Depois ele explicara que… morava longe, viera o mais rápido possível… num jatinho fretado.

Lembrava-se do momento que o vira pela primeira vez… Ele entrara dentro do quarto, imensamente alto, o cabelo branquinho como flocos de algodão, mas nenhuma ruga no rosto, os olhos muito azuis, como duas safiras e gelados como pedras de gelo. A fitara por um longo e silencioso momento. Então você finalmente acordou? Soara a voz de trovão no quarto… e ele sorrira. E o olhar gelado se aqueceu e apesar de não se lembrar dele, sentiu-se em casa… em família… Tio Gamaliel cuidara de tudo então, da reforma na sua casa, para recebê-la mais adequadamente… médicos, tratamentos… dinheiro não era problema ele afirmava. Ela devia se preocupar apenas com ficar boa… levasse o tempo que levasse… ele estaria ali ao seu lado para o que ela precisasse.

Foram alguns anos, muitas dores e muita perseverança até ela recuperar o corpo baqueado. Voltar a falar, voltar a andar… voltar a trabalhar… poder morar sozinha novamente. Tio Gamaliel praticamente se mudara para sua casa, e havia as enfermeiras e outros funcionários… pessoas para limpar a casa, cozinhar, arrumar o jardim… mas de vez em quando tio Gamaliel tinha que fazer algumas viagens, porém, naqueles anos difíceis ele nunca se ausentara por mais de uma semana.

Foi ele quem lhe contou a história de sua vida, mostrou fotos… Ela havia nascido em São Paulo, os pais haviam morrido há dez anos, a tempo ainda de vê-la se tornar uma pessoa bem sucedida. Pai tivera um câncer grave de garganta e a mãe… morrera um ano depois de tristeza e saudade do amor de sua vida. Era filha única. Estudara fora do país por muitos anos, voltara após a morte do pai para cuidar da mãe e depois resolveu ficar por aqui quando a mãe também morreu. Ela queria se lembrar, queria saber mais… ficou deprimida.

Foi tio Gamaliel que insistiu para que ela fosse ao terapeuta e foi lá que ela superou a ideia de ficar tentando se lembrar quem era, que resolvera abraçar o futuro, não desperdiçar a segunda chance que a vida lhe havia oferecido. Era uma grande artista tio Gamaliel dissera… devia voltar a pintar, esculpir… ela recomeçou timidamente a principio. Depois as mãos pareciam fazer o trabalho sozinha e ela passava horas e horas imersa na sua arte, no mundo da criação. Uma primeira exposição organizada por tio Gamaliel e um novo empresário… depois de quatro anos afastada dos holofotes e o sucesso…

Acho que não precisa mais de mim agora… ele dissera. Pode tocar sua vida adiante. Se quiser me visitar… sabe onde me encontrar. Dissera anotando o endereço na agenda. Mas ela nunca visitava porque pelo menos uma vez por mês tio Gamaliel vinha a São Paulo e passavam o dia juntos.

Tio Gamaliel era um homem tão grande e forte… jamais poderia imaginar que isso aconteceria com ele. Um derrame… uma veia milimétrica, um coagulo de sangue e lá estava ele… prostrado naquela cama… imóvel… Colocou as mãos na cabeça e correu os dedos pelos cabelos. Sentia-se tão desnorteada agora quanto sentira-se naquele dia que acordara do coma. Se ao menos ele estivesse acordado, se ao menos… se…. Mas não podia desabar agora, tinha que ser forte. Ele iria acordar ela estava certa… mais cedo ou mais tarde e então ele ia ficar melhor e tudo poderia ser esclarecido. Ele mesmo lhe contaria toda a história… e ia lhe explicar porque deixara de fora, de tudo o que lhe contara anteriormente, que ela tinha mais familiares além dele.

Decidida ele ergueu-se e resolveu voltar para a casa que hospedaria ela e seu empresário e amigo. Que ela por sinal abandonara sem nenhuma palavra e sem nenhuma cerimônia. Bateu a areia da roupa, entrou no carro e fez o caminho de volta… tinha que pedir desculpas ao Paulo quando lá chegasse…

Continua no post da semana que vem… Fiquem ligados…

Publicado originalmente em 20/05/2016 em Estante da Shao

Há pessoas e pessoas…

pessoas

Fala galera beleza, vcs estão legais? Espero que sim. Eu tô legal, meio irritada porque eu fui dormir tarde e queria dormir até mais tarde hoje domingão… mas, eu tô velha mesmo, sete horas da manhã e eu já estava com fome e com dor nas costas… Tem coisa mais irritante que não conseguir dormir até mais tarde quando a gente tinha planejado dormir até mais tarde no final de semana. Não tem… mas, fazer o quê né? E eu estou com dor de cabeça. a vida dpa

Há pessoas que te arrastam para baixo e pessoas que te levam para cima. Há pessoas que são boas para a gente e pessoas que são ruins para a gente. Mas, nós também somos pessoas… e às vezes achamos que somos uma boa pessoa, uma pessoa que só quer o bem para os outros, que só estamos fazendo coisas boas para as pessoas que nos cercam mas na verdade não estamos. Somos falhos e às vezes magoamos as pessoa que nos cercam mesmo sem querer. Isso acontece com todo mundo, infelizmente…

Felizmente às vezes a vida dá um tapa na cara da gente e mostra o quanto fomos errados e injustos e nos permite nos recolhermos à nossa insignificância, revermos todos os nossos atos e se formos suficientemente humildes , corajosos , inteligentes e perseverantes… podemos voltar atrás, nos corrigirmos, detonar a marteladas as atitudes erradas que tomamos e sermos efetivamente uma pessoa melhor.

Palavras mal pensadas, atitudes tempestivas, falta de consideração às vezes ferem as pessoas que a gente mais ama. E eu nem tô falando de ninguém, deste ou daquele, eu estou falando de mim mesma. Eu sempre soube que eu não era perfeita… ninguém é, e eu nem tenho pretensão alguma de um dia sequer chegar próxima disso… muito pelo contrário.

Mas esses dias eu tomei consciência pela primeira vez, em muitos anos… o quanto eu posso sim ser uma pessoa ruim, egoísta e insensível. E eu vou tentar me corrigir em muitas coisas. Claro… a gente nunca consegue melhor e se corrigir em alguns sentidos, especialmente neste de ser uma pessoa melhor de tratar melhor as pessoas que amamos, sem ajuda. Vc tem que ter uma pessoa que ame vc o bastante para falar a verdade na sua cara, com o coração aberto… chegar em vc e falar com todas as letras. Olha… vc fez isso e isso e mais isso comigo e eu não gostei, por favor não faça mais, não aja mais desta forma.  Ou então, esta e esta atitude costumeira sua me magoa. Eu fico magoado quando vc faz isso. Por favor pare!

E vc, se vc ama de verdade essa pessoa, se vc quer ela na sua vida para sempre, se vc quer acima de tudo ser uma pessoa melhor… vc tem que também estar de coração aberto para aceitar em primeiro lugar a verdade de quem vc é e o que vc fez. Em segundo lugar saber e aceitar que errou e pedir perdão. Em terceiro lugar, procurar não repetir mais aqueles erros e finalmente em quarto lugar mudar. Se tornar uma versão melhor de si mesmo, limando esse lado ruim que todos nós temos, diminuindo nossos defeitos (até mesmo porque não tem como eliminar todos os defeitos… é impossível). E eu espero sinceramente, do fundo do meu coração, ser capaz de melhorar, cada dia um pouquinho mais… é o que todo mundo quer não é mesmo?

Vou terminando este post por aqui, porque hoje eu tirei o dia para editar textos do novo livro. Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

See you guys around the corner
Shao

Livre

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Eu estava doente fazia muito tempo. Doente da alma, mas como eu ia explicar para as pessoas? Então eu fiquei agonizando por meses, anos, escondido atrás dos sorrisos. Então, naquela tarde fria de agosto quando o médico me deu o diagnóstico final para todos aqueles sintomas, cansaços e fraquezas que eu vinha tendo… câncer, agressivo, terminal, inoperável, incurável para a medicina atual. Haviam tratamentos experimentais claro… tratamentos paliativos também… ele aconselhava isso, e isso e mais aquilo… meus últimos dias como uma cobaia.

Minha família olhou para mim… eles sabiam o que eu pensava. Eles se preparavam para batalhar contra mim, uma batalha argumentativa na qual onde eles tentariam me convencer a lutar, a tentar… Tentar viver mais. Mas aquela notícia estranhamente fazia com que eu me sentisse tão mais leve… temeroso é claro. Sempre tememos o desconhecido, o sofrimento e finalmente a morte e tudo que ela representa. Mas naquele instante eu só conseguia sentir a leveza do momento. Acabou… é isso… eu finalmente sei como tudo acaba e o peso enorme que eu carreguei nos ombros a minha vida toda se tornara inexistente.

Aquela eterna pergunta sem resposta, qual a minha missão nessa terra? Que me perseguira minha vida toda agora não era tão importante. Fosse qual ela fosse… eu aparentemente já devia tê-la cumprido, afinal… meu nome já estava na lista dos que partiriam em breve. Vou pensar doutor… obrigado. Eu respondi e juntei minha família com um movimento de cabeça e saí do consultórios. Todos me seguindo de cabeças baixas, alguns limpando as lágrimas. Eu entendia a dor que eles estavam sentindo naquele momento… mas, não conseguia se sentir da mesma forma…

Quando chegamos em casa todos sentaram-se e começaram a discutir, o que faríamos, qual tratamento seria melhor, eu me sentei no sofá sem sentir nada… talvez a nova doença fosse a cura para a doença antiga… e era somente isto que me importava naquele momento… era só no que ele pensava enquanto nem sequer ouvia o burburinho das vozes da sua família.

– Eu não vou fazer o tratamento… é experimental… eu não sei quanto tempo me resta ainda, mas… não quero passar este tempo como um experimento científico. Eu sei que talvez seja a coisa a certa a se fazer e que mesmo que eu não me cure, vou virar uma série de dados importantes que podem ajudar a salvar outra vidas num futuro distante… sei que seria a coisa altruísta a se fazer. Mas, eu não me sinto muito altruísta no momento. Disse eu me erguendo do sofá e começando a caminhar para sair da sala.

E vai fazer o quê? Veio a pergunta, previsível como o nascer do sol a cada manhã. Eu sorri e fitei cada membro da minha família demoradamente. E pela primeira vez na minha vida eu vi todos eles juntos e em silêncio. – Viver… o resto dos meus dias com dignidade. Vi que eles queriam debater, discutir, mas com a mão eu fiz sinal para que eles não dissessem nada. – Eu estou cansado, não quero decidir mais nada por hora está bem?

Lentamente caminhou pela casa rumo ao seu quarto, entrou, trancou a porta e deitou-se na cama fitando o teto. As mãos cruzadas atrás da cabeça. Experimentando pela primeira vez a sensação de que nada mais o prendia a essa existência. Era exatamente libertador. Talvez fosse assim que os planetas se sentissem flutuando despreocupadamente em suas órbitas. Sem parar para se preocupar com a hipótese de um cometa gigantesco atingir-lhes e os destruírem, os transformarem em poeira cósmica.

Tinha a família claro… as pessoas que ele amava e que o amavam de volta. Mas… pensaria nisso amanhã. Queria naquele exato momento apenas flutuar livre nessa sensação de não ser nada nem ninguém. Era apenas mais um conjunto de átomos, prestes a se despregarem uns dos outros e se perderem no universo… ou se transformarem em outra coisa. Ele não sabia exatamente como funcionava isso, mas agora nada importava. Estava tão cansado, fazia tanto tempo que estava tão cansado… Sempre tanta coisa para fazer, tanta coisa para se preocupar. Mas nada disso era importante agora… No momento importava apenas ser livre.

Publicado originalmente em 13/05/2016 em Estante da Shao

Gente que não acredita em alma???

alma

Fala terráqueos, beleza? Eu tô bacana espero que vc estejam também. Hoje é sexta-feira (Shao, hoje é domingo – Eu sei, domingo para vcs mas eu estou escrevendo numa sexta) e eu fiquei morrendo de preguiça de tudo hoje, foi uma luta eu levantar da cama para ir trabalhar hoje, e eu já acordei com dor de cabeça… mas Deus me ajudou eu tomei um remédio e fui trabalhar.

Entretanto, saindo do trabalho eu vim para casa em vez de ir para a academia e eu deveria estar agora estudando. Mas a cabeça tá meio oca ainda e eu tive uma semana infernal apesar de ter sido feriado e eu acho que eu mereço uma sexta-feira para não fazer nada, só sentar assistir séries, ou dormir mais cedo. Amanhã eu tenho compromissos à tarde e à noite eu quero tentar finalmente trabalhar com as legendas do meu TCC. Já baixei todos os vídeos, vou legendar todos eles, começar meu relatório… não sei se eu consigo neste final de semana, mas até o final de semana que vem eu quero ter terminado tudo, até mesmo a minha parte do relatório. Vou ralar… mas pelo menos me livro de uma vez por todas disso.Já era para eu ter terminado não fossem tantos contratempos com problemas de saúde e problemas com meu computador.

Mas, de novo nem era disso que eu queria falar nesse post, eu queria falar um pouquinho, bem rapidamente sobre a alma. De uns tempos para cá está sempre tanta discussão sobre religião e ateísmo. E eu estava me perguntando esses dias… muitas pessoas acreditam piamente na ciência, na evolução… enquanto outras acreditam piamente no criacionismo…

Então eu me pergunto… se as pessoas que acreditam só na ciência e só no evolucionismo também não acreditam na existência da alma. Eu particularmente acho que a alma existe sim (claro que sim né Shao, vc é cristã). Sim, eu acredito no criacionismo, mas eu também acredito em evolucionismo. Eu acredito que Deus é o maior cientista de todos. Mas isso é uma discussão pra outro post…

Eu acredito na existência da alma. Eu não acredito, como uma amiga minha, que somos apenas um monte de átomos, e que quando morremos acabou. Viramos carne pode e alimentamos as bactérias e tal… na ideia de na natureza nada se perde tudo se transforma. Tudo que éramos, nosso caráter, nossos sentimentos, tudo que era expressão humana do que éramos deixa de existir. E não existe nada em nós, que é parte espírito, que vai para algum lugar, volta para algum lugar, para um centro energético, para Deus… ou para onde quer que seja.

Eu acredito que temos uma alma dentro desta casca que chamamos corpo e que quando a gente morre esta alma, que é um pedacinho de Deus que ele emprestou para a gente por um tempinho enquanto a gente está nesta terra, volta pra Deus. Tem pessoas que acreditam em reencarnação, que a alma tem que vir para cá para esse mundo, viver várias vida, para evoluir para só então voltar para o seio de Deus.

Eu não acredito nisso, mas respeito quem acredita e respeito quem não acredita em nada também. Cada um no seu quadrado, mas eu acredito que somos parte de algo, e que somos mais que poeira de estrelas como dizem alguns físicos… quer dizer, eu acredito que somos poeira de estrelas, mas, não apenas isso. Uma parte de nós é espírito e esta combinação estranha que nos torna tão complexos. E vcs ?? No que acreditam… deixem aí as respostas nos comentários… eu fico curiosa.

Vou terminando este post por aqui, porque hoje eu tirei o dia para editar textos do novo livro. Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

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Shao

Nerdices: Filme – John Wick: Um Novo dia para Matar

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Fala galera, beleza??? Espero que sim… eu tô legal, apesar de já ter acordado com dor de cabeça, não consegui dormir direito esta noite e quando eu dormia eu ficava sonhando com as coisas que eu tenho que fazer. Então… vc acaba acordando com a cabeça cansada.

Mas como sempre isto não tem nada a ver com o assunto do post. Vamos falar de filmes… caso vcs não tenham lido eu postei há uns meses, sobre o filme do Keanu Reeves, que eu assisti na Netflix…  John Wick – De Volta ao Jogo (clique no link para ler o post, meus comentários sobre e coisa e tal…) ainda está lá se vcs quiserem assistir. E o filme é muito legal. Eu gostei para caramba e portanto eu fiquei bem animada quando começou a se falar em uma continuação para o filme. Vcs estão carecas de saber que eu sou bastante fã do Keanu Reeves… então a gente foi ao cinema assistir ao filme… à continuação que se chama “John Wick – Um Novo Dia para Matar”.

E no segundo filme, como no primeiro… O personagem do Keanu, que é o John Wick, está lá quietinho na casa dele, de boas, não querendo confusão com ninguém. Então o pessoal da máfia que ele fazia parte vai lá atrás dele cobrar uma promissória, meio que uma promessa de sangue que ele fez para poder sair da organização onde ele era O Melhor Assassino de todos. E o chefão de uma das facções lá cobra essa promissória e ele diz não! Afinal de contas ele saiu daquela vida… mas o cara não deixa para lá explode a casa dele com ele dentro, só escapam ele e o cachorro.

Então… ele conversa com alguns amigos que aconselham ele a fazer o serviço e se livrar de uma vez por todas da promessa, mas… o cara que contratou ele contratou ele para matar a própria irmã, que ela é a chefona de verdade e ele quer ela morta para ficar no lugar dela. E é aí que começa toda a merda porque… ele mata ela e o irmão se faz de ofendido e joga na internet dos assassinos que ele paga sete milhões para quem matar John Wick e vingar a morte da irmã dele (que foi ele mesmo que mandou matar aliás…) e então o John tem que escapar de tudo e de todos. E ele fica tão puto que ele decide que vai matar o cara…

Mas para fazer isso ele precisa primeiro ficar vivo porque todos os assassinos do mundo estão atrás dele. E eu não vou contar mais o que acontece porque senão perde toda a graça, entregar o que acontece o que deixa de acontecer.

Quem não curte este tipo de filme, nem vá ver… Mas quem gosta de filme que tem bastantes lutas, tiro pra caramba, sangue para caramba para lá e para cá, perseguições e um final inesperado, eu recomendo para caramba! Um dos melhores filmes de ação (os dois filmes aliás) que eu já vi nos últimos tempos.

Tem diversas cenas extremamente bem coreografadas de luta, e tem uma cena especial envolvendo um lápis hahahahahahaha. Que eu não vou contar, mas só essa cena do lápis vale o ingresso do filme. Uma coisa que eu sempre digo é que raramente continuações de filmes que foram muito bem executados são legais. Claro que sempre há exceções mas em geral as sequências sempre são muito ruins. Mais raras ainda são as sequências que são melhores que o primeiro filme. Uma delas é Alien O Resgate (ou Aliens, eles mudaram o nome do filme uns anos depois) o primeiro já foi bacana, o segundo supera ele em muito e é um clássico!!!

Este filme também é uma das raras exceções onde o segundo filme é muito melhor que o primeiro (pelo menos eu achei). E olha que o primeiro é bom para um caramba. Quando os dois filmes estiverem disponíveis em DVD eu seriamente vou considerar comprar para ter na minha coleção.

Eu não sei se quando este post for publicado o filme ainda vai estar em cartaz, eu estou deixando os posts agendados com mais de um mês de antecedência. Mas eu recomendo para caramba. Vão ver no cinema se tiverem oportunidade. Se não estiver mais, pode aguardar que já já ele estará chegando em DVD ou na Netflix etc.

Vou terminando este post por aqui, porque hoje eu tirei o dia para editar textos do novo livro. Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

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Shao

A Menina que não Sabia ter amigos

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A primeira vez que tivera contato com aquela menina… Viviane o nome dela… Achou-a estranha. Magra, alta, mulata. Usava Marias-chiquinhas nos cabelos. Tinha uma cara engraçada. Não que fosse feia, mas não a achava bonita. Carregava-se sempre de cabeça erguida, como se desafiasse o mundo numa interminável e cansativa altivez. A testa era larga… e a trazia sempre franzida em concentração ou escarninho. Não se lembrava de tê-la visto sorrir sequer uma vez naquele ano que conviveram.

Tinha sobrancelhas muito negras e grossas… não daquelas que se encontravam no meio da testa, mas daquelas bem desenhadas. Olhos puxados e pequenos… como se sempre estivessem semicerrados era meio vesga… mas vesga assim de leve. Você tinha que prestar muita atenção nos olhos dela para perceber a vesguice. Sobrancelhas grossas e longas que não combinavam com o tamanho dos olhos… nem com o tamanho do nariz. Que era longo, quadrado e pontudo. O Nariz combinava com os lábios que eram finos em cima e largos embaixo. Mas não com o queixo em formato de V que terminava antes de ter um tamanho decente. Não era feia… mas era como olhar um quebra-cabeças montado com peças trocadas.

Sentou-se ao lado da menina estranha no recreio, com seu lanche que não era nada estelar. A sua mãe era amiga da mãe dela. Pareciam ser boas amigas. A mãe dissera animada, e vocês vão para a mesma escola, e vão talvez estudar na mesma sala com a mesma professora. Dissera todas essas coisas como quem determinava ‘seja amiga dela’. Deu uma mordida indiferente no lanche… nem estava com fome. “Me dá um pedaço do seu lanche?” – Foi a primeira coisa que ouvira a menina dizer. “Só um pedacinho… para eu experimentar’.

Claro… por que não? Partiu o lanche e entregou-lhe uma porção, reparando que ela usava a gramática de forma corretíssima… uma menina de dez anos… ficou impressionada. Trocaram informações, nome e tudo mais… A menina mais alta declarou que seriam amigas, iam sentar juntas e ficariam juntas na sala.

Mas… o tempo foi passando e ela não sabia realmente se gostava dessa sua nova ‘amiga’. Uns meses depois… mesma cena, as duas sentadas ao lado uma da outra no recreio entretanto os papéis foram invertidos. Desta vez ela quem pediu um pedaço do lanche da ‘amiga’. E a resposta… “Ahhhhh não, não vou dividir o meu lanche” – disse a criatura altiva quase berrando e olhando-a de cima. Tudo bem… sem problemas… pela primeira vez na vida ela aprendeu o significado da palavra reciprocidade.

Uns poucos dias mais tarde… um episódio na fila, para entrar na sala de aula. A menina percebeu que a ‘amiga’ tinha um pouco de purpurina sujando-lhe a face. “Você está com a cara cheia de purpurina, devia ir no banheiro lavar”. “Eu não tenho cara, quem tem cara é cavalo… eu tenho rosto”. Gritou a outra.”Rosto ou cara… você devia lavar”. Retornou ela… e aprendeu mais uma… certas pessoas tem cara… certas pessoas tem rosto. Apesar de que ela não via muita diferença… ficou de cara com essa indiferença toda.

Os meses iam se passando e cada vez mais a menina tinha mais certeza que não gostava tanto daquela pessoa com quem a vida aleatoriamente a conectara. Um dia ela resolveu fazer uma experiência. Mais uma vez a ‘amiga’ pedira um pedaço do seu lanche. E só para ver qual seria a reação da criatura ela disse não. “Ahhhh sua egoísta”. E então ela aprendeu o significado de mais uma palavra. Aprendeu o que significava ser egoísta… Ser egoísta é quando você não divide o seu lanche com os amigos.

A menina gostava de observar… e gostava de ler. E um dia ela ganhou da sua mãe um livro grande e colorido com diversas histórias. O livro não era tão caro nem tão raro… a mãe comprara numa banca de jornal. Ela levou para a escola para ler no recreio. Já havia muito tempo que ela preferira se afastar das demais pessoas e ficar um tempo num canto qualquer, lendo… a solidão nunca fora sua inimiga. E se tornava ainda menor quando tinha um livro em mãos…

Um dia esqueceu o livro num canto qualquer da escola. Ficou tão triste com a perda do amigo… então a mãe com um sorriso lhe comprou outro e disse. Deixe este em casa… para não perder novamente! Ela assentiu. Quando chegou na escola no dia seguinte a ‘amiga’ estava com seu livro, o tinha encontrado no seu banco do páteo e o trouxera para devolver. “Mas, comecei a lê-lo então só te devolvo depois que terminar.” Não era uma pergunta… era uma afirmação. Uma outra colega então soltou… “A mãe dela já comprou outro para ela”. “Então vou ficar com esse para mim.”

Aprendeu naquele dia que não queria amigos assim. Sentiu-se furtada. Ficar com algo que não é seu porque a pessoa tem dois objetos iguais não deixava de ser furto. Um furto era um furto e ponto final… Mas resolveu não falar nada. Não valia a pena. A lição que aprendera era bem mais valiosa. Aprendeu que algumas pessoas querem ter amigos, mas não tem por timidez ou por serem muito caladas. Entretanto… algumas pessoas realmente não tem amigos porque não sabem serem amigos.

Comentou apenas o caso com a mãe… que concordou com ela sorrindo e a premiou comprando outro livro… o segundo de uma coleção imensa que ela guardaria para sempre.

Fim.

Causos de Família: O Ovo e o Aniversário

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Fala terráqueos, beleza??? Espero que estejam bem… Eu tô legal, cansada mas legal… Felizmente a semana está acabando. Começo de ano é assim mesmo, eu sempre resmungo que estou cansada porque a gente atende gente para caramba… mais de cem pessoas por dia… é desumano. Eu fico imaginando, o pessoal que trabalha no SUS o pessoal que trabalha no atendimento, os médicos, as enfermeiras… se a fila que eu tenho que encarar todos os dias , que tem no máximo cem pessoas (já teve épocas de ter mais de 500 – graças a Deus este tempo já passou) imagina aquelas filas infinitas com gente doente, muitos morrendo… eu não teria condições psicológicas de trabalhar num lugar assim.

Amanhã teremos mais um dia agitado no trabalho e depois eu tenho consulta com a minha Endocrinologista, certeza que eu vou ter uma sexta-feira cansativa. Mas beleza, eu vou poder dormir até um pouquinho mais tarde no sábado e depois de dormir um pouquinho eu vou ver se eu gasto o final de semana estudando, porque já tem mais uns oito ou dez horas de aula para eu assistir e eu não assisti nada ainda.

Mas, vamos mudar de assunto? Bora pro assunto do post. Vamos descontrair um pouco e eu vou contar um ‘Causo de Família’ aqui para vcs… Eu não sei como funciona as coisas com a juventude de hoje em dia… a sociedade mudou para caramba mas, na minha época (coisa de velha falar ‘na minha época’ hahahahaha), quando eu era criança a gente adorava que os amigos fizessem aniversário para a gente tascar ovo, farinha, pó de café e outras coisas no aniversariante. Eu entretanto faço aniversário em Julho e portanto nunca conseguiram me pegar nessa brincadeira na escola porque estávamos de férias e a maioria dos meus amigos viajavam nas férias, meus primos e tios e família por outro lado até tentaram, mas eu era esperta e escapei a vida toda (até agora) de tomar ovada. Me acertaram com bolo, com confete, com espuma daquelas de festa, com chantilly mas nunca com ovo cru na testa. Eu era aquela filha da mãe que acertava ovo em todo mundo e quando chegava a minha vez eu escapava… hahahahahahaha. E essa história de atirar ovo no aniversariante gerou duas histórias clássicas na família…

Primeira… no meu aniversário de 18 anos, a despedida oficial da adolescência (pelo menos perante a lei) galera combinou que iam me acertar com ovos quando eu chegasse na casa da minha avó para a minha festa “surpresa” de aniversário… (e aqui eu coloco o surpresa entre aspas porque nos meus quarenta anos de vida apenas uma vez realmente conseguiram me surpreender e não foi ninguém da minha família, foram meus amigos do trabalho. Mas essa é uma outra história, voltando à história em questão…

Então, a galera do mau, que eram meus primos e umas tias minhas armaram toda  festa e a armadilha das ovadas, mas… eu escapei. Eu cheguei na casa da minha vó… a primeira coisa que eu fiz, foi descobrir o bolo na geladeira, não era para eu ter aberto a geladeira mas eu fui pegar um gelo para colocar no meu copo de água e lá estava o bolo, com meu nome, bonitinho, aí eu disse… “Opaaaa, bolo! Vai ter festa pra mim hoje???” Daí todo mundo… “Ahhh Ceres, não era pra vc achar o bolo” e eu “Eita, escondessem o bolo melhor então seus coisados!” Aí a galera começou a arrumar as coisas para a festa, e a galera do mau esperou até eu estar distraída… (quer dizer, eles achavam que eu estava distraída, mas eu não estava) daí eles me cercaram… mas eles são burros e me deixaram de frente para a porta de saída… e tinha um vidro espelhado.

Eu estava parada perto da porta, daí elas vieram correndo e eu vi o reflexo delas correndo na minha direção, com os ovos na mão e na época eu fazia Kung Fu e eu era uma ótima aluna hahahaha, minha tia jogou o ovo na minha cabeça, mas em vez dela pegar e pressionar o ovo na minha cabeça ela jogou o ovo na direção da minha cabeça e eu meio que fiz uma esquiva estilo Matrix com a cabeça e eu peguei o ovo em pleno ar… antes dele cair no chão. Na mesma hora eu peguei e tasquei o ovo bem na cara dela hahahahahaa e a outra que vinha correndo atrás ficou toda melecada também porque espirrou ovo nas duas. O segundo ovo espatifou no chão sem me acertar e eu peguei a meleca espatifada e paff na cara dela…

Resumo da ópera, eu a aniversariante fiquei limpinha e as três pestes ficaram melecadas hahahahahha. Daí toca minha vó dar bronca nelas porque estavam desperdiçando comida. E elas tiveram que tomar banho antes da festa. Como sempre, eu perco o amigo mas não perco a piada… enquanto elas três estavam no banheiro tomando banho (juntas hahahahaha porque era muita meleca de ovo) eu dei a volta na casa da minha vó, fui até o quintal dos fundos, peguei a mangueira e pela janela do banheiro ajudei elas a lavar a meleca de ovo com ÁGUA GELADA. Estávamos em pleno Julho galera e estava frio para caramba.

Sim, eu sei o que vcs estão pensando… Shao vc era uma peste e sim… eu era! Dai elas começaram a gritar e minha vó veio correndo para ver o que estava acontecendo e me pegou no flagra e pegou o chinelo e saiu correndo atrás de mim “Agora tá vc desperdiçando água!” eu larguei a mangueira e saí correndo e pra ela não me pegar eu subi pelo muro e me escondo no telhado hahahahahahaha. Minhas primas e tias terminaram de tomar banho me xingando, minha mãe riu pra caramba. E depois todo mundo cantou parabéns e comemos bolo… bons tempos! Tem outro Causo de Família com ovo e aniversário mas vai ficar para outro dia…

Vou terminando este post por aqui. Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

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Shao

A Menina que não Sabia ser grata

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As demais adolescentes olharam para ela espantada. Ninguém a compreendia. Eu mesma, escrevendo agora este conto não sei ao certo se compreendo. Tantas coisas boas aconteceram para ela… as pessoas geralmente tinham pena dela… porque ela adorava enumerar a lista de problemas que ela tinha na vida, e como ela era tão desfavorecida.

Mas uma menina em especial, daquele pequeno grupo do colégio de freiras, talvez entendesse mais que todas nós… as outras alunas e eu a professora. Ela apenas não sabe o que é gratidão! Esta menina decretara um dia durante a aula de educação física. E com ar professoral começou a explicar. Ela se sente inferior às demais pessoas. Então, ela acha que pessoas em melhor situação que ela, pessoas mais inteligentes e capazes tem o dever de fazer algo por ela, para melhorar a sua vida. A menina dissera a uma outra que a olhava espantada. E eu na região da conversa ouvia igualmente tomada de espanto.

E quando as pessoas, por pena, fazem alguma coisa por ela… ela até diz obrigada, ela até agradece, mas ela não não sente gratidão. Não de verdade… Como vai se sentir gratidão sem saber o que significa gratidão? E tem outra… quando acreditamos que é dever da pessoa fazer algo por nós… não tem como ficarmos agradecidos… porque no fundo pensamos… ele não fez mais que a obrigação dele em me ajudar.

Não sei… disse a outra menina… acho que sua opinião é muito radical. Nem por isso ela é menos verdadeira… retorquiu a outra. Repare bem… que depois de algum tempo que alguém fez algo bom para ela … ela logo se esquece. Se alguém lhe perguntar ela sempre vai dizer… ninguém nunca me ajuda. Ninguém nunca faz algo bom para mim… ninguém nunca lutou por mim para tornar minha vida mais fácil, e diminuir os tropeços que tenho que vencer todos os dias…

Lá isso é verdade… a outra concordou. Dia desses ela disse que a professora Hilda tinha sido a única a ajudá-la, que nenhuma das outras professoras tinha feito nada nunca por ela. E nós sabemos que isso não é verdade… ela não quis aprender sobre polinômios, e foi mal na prova e no trabalho, mas a professora Celina deu a nota para ela poder passar de semestre… e ela nem se lembra disso.

Só podemos ser gratos de verdade a alguém quando não esperamos aquela ação da pessoa. Continuou a adolescente sábia. Como assim? A outra perguntou. Quando alguém nos faz um favor qualquer, ou nos faz uma coisa boa e não estávamos esperando por aquela atitude da pessoa, nos sentimos agradecidos. Qualquer outra coisa torna-se obrigação. A outra se pôs a pensar por uns instantes e então concordou com um movimento de cabeça.

Entendo… disse enfim. É como quando nossos pais nos amam e nos presenteiam quando somos bons filhos, mas… quando fazemos algo que achamos que é ruim e eles mesmo assim nos amam… ficamos surpresos e aliviados por termos o amor deles mesmo assim… ficamos verdadeiramente agradecidos. Concluiu. A outra apenas sorriu seu assentimento.

E eu retomei meu caminho… para longe das alunas para a sala dos professores. Imaginando de onde a aluna sábia tirara tamanha maturidade e como ela formulara aquele pensamento. Qual a origem dessa epifania tão profunda numa pessoa tão jovem??? Os pais talvez??? Deus abençoe estes pais… hoje em dia temos pais despreparados criando filhos que… só Deus sabe que tipo de adultos vão se tornar.

Ela deveria me DAR a nota. Dizia a aluna sobre a qual se discutia na cena do início desta história. Que diferença faz dois pontos??? Ela não ia morrer por me dar dois pontos na nota final. Dois pontos para mim são importantes, para ela, apenas dois risquinhos de caneta. Para mim é a diferença na minha vida… que já é tão difícil… eu não preciso de mais complicações na minha vida!!!

Mas você tem que merecer esses dois pontos Mirela… não é assim não. E a professora tem sido tão paciente com você tem te ajudado tanto… tentou argumentar uma outra aluna. É… eu nunca mereço nada mesmo, eu nunca consigo nada mesmo. Se não sou eu… ninguém se preocupa comigo.

Suspirei… procurei imaginar aquela menina daqui uns sessenta anos… será que levaria essa atitude para outras áreas da sua vida, para o seu emprego quando fosse adulta… seria uma pessimista, encostada e ingrata pelo resto da sua vida?? Eu sinceramente esperava que não… mas infelizmente algumas pessoas ao envelhecerem tendem a piorar. Sorri ao me lembrar da adolescente sábia… talvez o mundo ainda tivesse salvação.

Fim

Publicado originalmente em Estante da Shao em 01/01/2016

Os Ossos do Meu Pai…

esqueleto

Fala terráqueos, como vão vcs? Estão bem??? Espero que sim… hoje eu tenho uma história engraçada para contar para vcs. Quer dizer eu não sei se a história e engraçada ou se e triste. Vcs decidem ok??? Para mim é triste… pelo menos, eu fiquei triste… Quando eu tinha dezenove anos… meu pai faleceu por conta de complicações por conta da diabetes. Assim… desde que eu me entendo por gente minha vó, mãe do meu pai tem diabetes. E eu conhecia um monte de pessoas que tem diabetes mas que leva uma vida normal. Meu pai foi a primeira pessoa que eu vi que teve complicações e depois morreu devido a diabetes.

Eu nunca imaginei, que uma pessoa pudesse morrer por conta da diabetes até então. A gente sempre ouve, a diabetes é uma doença grave, uma doença silenciosa. Mas eu apenas convivia com pessoas que cuidavam da saúde, tomavam os remédios e levavam uma vida normal. Meu pai, infelizmente não teve esse bom senso. Não deve ter sido por nada, ele não devia saber nada sobre a doença… aliás, eu mesma até desenvolver a doença não sabia muito sobre ela… hoje em dia eu ainda não sei muita coisa, mas sei bem mais que eu sabia antes…

Ele nunca teve nada ate seus quarenta anos de idade e com quarenta ele começou a ter os sintomas mas ele não se cuidou ele simplesmente continuou levando a vida como se nada tivesse acontecido. E um dia a diabetes subiu muito depois caiu de uma vez e por conta disso ele teve uma parada cardíaca fulminante e faleceu. Meu pai foi a primeira pessoa, assim mais próxima de mim que eu perdi… Foi bem triste e traumático apesar de nós não sermos tão chegados… Eu me lembro até hoje de como quando o pessoal do cemitério estava enterrando ele, o barulho da terra batendo na tampa do caixão, fazia um barulho de oco que ressoava dentro de mim…

E depois, quando passou bastante tempo após a morte dele, eu fui atrás de ver o que eu precisava fazer e se tinha como eu recuperar os ossos dele… Porque funciona mais ou menos assim (para vcs que nunca tiveram que lidar com a burocracia de um enterro… e depois de uma exumação) antigamente, depois d cinco anos que uma pessoa morria, vc tinha que ir até o cemitério e providenciar todo o necessário para tirar os ossos da pessoa da cova, e colocar no ossário… Hoje em dia o tempo são três anos…

E já tinham se passado mais de cinco anos quando eu tentei fazer isso, pegar os ossos e colocar na caixinha, com uma plaquinha com o nome dele e coisa e tal… Mas, acontece que quando eu fui lá no cemitério pela primeira vez, já tinha passado do prazo, já tinham feito a exumação dos ossos e como a família não tinha aparecido, eles do cemitério, pegaram os ossos do meu pai e enterraram novamente e colocaram um outro corpo por cima, e eu só ia poder recuperar os ossos do meu pai… depois de cinco anos quando fossem remover a ossada da outra pessoa que estava ocupando a cova.

Nós, voltamos lá depois do tempo haver passado e o que aconteceu, a senhora que estava enterrada no local, teve que voltar para a terra porque a terra não havia consumido todo o corpo. Espera mais três anos… e quando voltamos lá pela segunda vez… Disseram que aquela quadra do cemitério só seria aproximada e limpa no ano seguinte… voltamos pela terceira vez, eles disseram que ainda não tinham  chegado na quadra… pela quarta vez… a mesma coisa. Na quinta visita… me disseram que já havia se passado mais de vinte anos da morte dele e portanto tinha expirado o tempo hábil legal para fazer o resgate e portanto não tinha como mais recuperar a ossada.

Sinceramente, eu fiquei triste… eu queria ter conseguido sabe. Tudo que a gente faz pela pessoa que faleceu… não é mais pela pessoa é por nós mesmos. Desde o funeral, até rituais religiosos, as flores… tudo, tudo… é mais para nós mesmos que pela pessoa que faleceu. Eu também tive problemas com a ossada do meu avô… porque quando chegou a hora de fazer a exumação eu fui até o cemitério e quis tomar as providências cabíveis, entretanto eu não sou filha, eu não sou esposa, eu sou apenas neta e de acordo com a lei eu não posso… eu precisaria de uma autorização da minha avó ou de um dos meus tios.Vcs sabiam disso? Que precisava disso tudo??? Nem eu… e pode ser que em outro Município não seja tão burocrático, mas aqui em São Paulo é…

Eu conversei com a minha avó e ela disse que não ia gastar com isso, eu me ofereci junto com meus irmãos e meu primo pra gente rachar o valor, nem era tanto eram uns 300 reais, mas nem meus tios nem minha avó quiseram… teimaram com a gente e tal e a ossada do meu avô, como a do meu pai… não foi para a caixinha, ficou lá na cova, foi tirada e depois foi jogada no posso de ossos com todo mundo que a família não vai lá procurar.

A grande maioria dos meus familiares é cristão, e é evangélico. Diferentemente dos católicos, que mandam rezar missa de sétimo dia, de mês, de ano pela alma do falecido e que se preocupam com o corpo, com a cova, com a morte… minha família segue aquela parte que diz na bíblia “deixem que os mortos, cuidem de seus mortos…” que quer dizer na verdade… Faça pela pessoa enquanto ela estiver viva, não adianta fazer tudo isso depois que ela morreu. Mas eles, na verdade entendem assim… Ahhh só quem está apegado nas coisas desse mundo é que se preocupam com isso… deixa o morto pra lá, a alma já foi, aquilo ali é só a carcaça… O que eu respeito, não concordo, mas respeito… é o entendimento deles… E muita gente muquirana e pão dura mesmo aproveita-se desta passagem bíblica para não gastar seu dinheiro com o defunto.

Como eu já disse, eu não concordo… como eu já disse todos esses ritos é mais para nós mesmos que aqui ficamos. Para lidarmos com o luto com a dor da perda. É uma forma de honrar a memória da pessoa que a gente amava. De lembrar dela…

Tem muita gente que não se importa e eu até entendo, tem até aquele velho ditado que diz que todos somos isso e aquilo mas que um dia seremos apenas um retrato na estante e depois nem isso… Mas é triste cara, uma pessoa que vc amava tanto… virar nada. Os ossos que um dia foram braços que te abraçaram, mãos que te apoiaram… jogados numa pilha com outras pessoas. É quase como perder a pessoa novamente. Pelo menos para mim.

Eu me consolo em saber entretanto que em ambos os casos eu fiz tudo que estava em meu alcance. Vou terminando este post por aqui, mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

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Shao

O Menino, a Loucura e a possessão (Parte III)

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Ele estava cansado… Não sabia dizer quanto tempo se passara desde a última vez que ficara consciente. Se lembrava dos sonhos entretanto, dos pesadelos para ser mais específico.

A garganta doía… como se tivesse gritado por dias e dias… e ele estava com o rosto e os braços e o torço machucados… marcas horríveis e sangrentas eque pareciam ser de… arranhões. Ergueu as mãos que pareciam pertencer a um ancião… magras, enrugadas, pálidas, trêmulas…

“Olá, Artur.” um homem alto vestido de branco entrou onde ele estava, olhou ao redor, supôs que fosse um consultório. “Eu sou o seu médico… meu nome é Paulo.” – disse olhando fixamente para ele. Então este deve ser meu médico… pensou… mais um médico, que diferença isso vai fazer. “Depois de avaliar seu caso com cuidado eu achei melhor nós mudarmos um pouquinho o seu tratamento… espero ter resultados melhores assim…” sorriu.

Já passei por tantos ‘métodos de tratamento’. Queria dizer para o jovem médico que não faria diferença. Como explicar para um homem da ciência que ele não era louco? Quantas vezes já havia tentado… perdera a conta. “você está entendendo o que eu estou dizendo Artur?”. Abriu a boca para falar mas não saiu som nenhum… garganta muito seca, os lábios rachados…”A… A-a-água…” conseguiu falar, num som estrangulado. “Ahh sim… claro!” – encheu uma caneca de plástico de água que eu engoli rápido e me engasguei… “Vá com calma…” tomei toda a caneca. “M-m-mais…” ele me serviu outra caneca, mais outra quando eu pedi mais. “Melhor agora?” ele perguntou com um sorriso. Eu balancei a cabeça afirmativamente.

O que era ‘estar melhor’ na concepção dele? Eu não sabia o que era estar bem há tanto tempo. Pequenas coisas, como uma caneca de água fresca me pareciam coisas luxuosas. “Há quanto tempo estou aqui?” a pergunta saiu antes que eu pensasse direito nela, mas a voz saiu estranha… mal reconheci minha própria voz, minhas cordas vocais deviam estar piores do que eu imaginava.

“Há três meses… Seus pais o transferiram para cá porque acreditam que aqui você terá um tratamento melhor. Temos os melhores equipamentos, temos os melhores médicas e técnicas inovadoras…” ele ficou ouvindo o médico falando de coisas que não o interessavam.”Eles, não vieram… me ver??” perguntei interrompendo a falação dele. “Eles vieram há umas semanas mas você estava sedado… aconselhamos aos seus familiares a não fazerem visitas por enquanto, nesse período de adaptação.” Eu fiz apenas que sim com a cabeça… já imaginava isso. Não era a primeira vez que meus pais me mudavam de clínica. O que me espantava era eles ainda não terem desistido de mim…

Esse pensamento fez meus olhos se encherem de lágrimas. Eu que achei que não tinha mais lágrimas para chorar. Eles podiam simplesmente me largar neste lugar e simplesmente se darem por satisfeitos de não ter mais que lidar com aquele horror… mas não, eles ainda tentavam me ajudar… do modo deles claro. Eles não tinham ideia do quanto isto era importante para mim. “Não fique triste, você poderá ver seus familiares em breve. Estou certo disso.” disse com um sorriso apaziguador.

“Eu não sou louco doutor…” minha voz soou fracamente.”Claro que não. Não chamamos ninguém de louco aqui…” disse ele condescendente.”O senhor acredita no mal doutor?” eu ouvi minha própria voz ganhando forças, juntamente com meu medo. Mas meu medo não era, naquele momento, maior que a minha fúria, nem que a minha vontade de ser ouvido. “Acredita em demônios? Acredita no diabo?”.

O médico ficou um longo tempo me olhando…”Respeito todas as crenças. Mas como um homem da ciência devo dizer que sou bem cético quanto à existência de um… mundo espiritual.” Assenti lentamente… sentindo a raiva se transformar num misto de tristeza e angústia. “Então, o senhor não pode me ajudar doutor. Eu não sou doente… eu não sou louco. E-eu preciso de ajuda… mas n-não de ajuda médica.” eu já não conseguia impedir que as lágrimas corressem livremente pelo meu rosto, eu não sabia quanto tempo eu tinha ainda para tentar falar com aquele médico… esperando alguma humanidade, alguma piedade dele.

“E-eu preciso de um padre, u-um pastor, u-m rabino, um feiticeiro… um sacerdote de alguma espécie… alguém que acredite em mim e que me ajude. Que me liberte dessa coisa que me atormenta.” o médico sentou-se muito calmamente e ainda observando-o perguntou. “E o que é essa coisa que te atormenta?”.

“E-eu… n-não… n-não quero falar s-sobre isso… n-não quero, p-por favor.” novamente aquela sensação horrenda de não estar mais só entro do próprio corpo se apossava dele… seu tempo estava se esgotando. “Por favor doutor… ” ele se apressou em falar, as palavras se enroscando umas nas outras. “Por favor, não precisa acreditar em mim, apenas encontre uma pessoa que possa me ajudar, por favor eu imploro. Eu não tenho mais tempo… eu… não…” calou-se. De novo aquela sensação. Ele era apenas um espectador… ele podia ver tudo o que acontecia como quem assistia um filme. Incapaz entretanto de interagir.

O médico assistiu a transformação do paciente diante dos seus olhos. Num instante ele pareceu triste, de uma maneira quase trágica e então desesperado, apressado em dizer alguma coisa e então… com medo? Pânico! E então ele parou de falar, os olhos ficaram vazios e então as pupilas se dilataram… e ele cruzou as pernas, recostou-se na cadeira, as mãos postas sobre as coxas e sorriu. Um sorriso de desdém, um sorriso quase… malvado. Olhou o médico bem nos olhos e não disse mais nada.

O jovem médico então “Olha Arthur, eu sei que é algo complicado de lhe pedir, mas eu preciso que confie em mim. Vamos começar do zero certo? Eu eu tenho muita confiança que esse novo tratamento vai ajudar você. Você me disse que precisa de ajuda e é isso que eu estou fazendo… Mas, você precisa confiar em mim ok?”

O rapaz sentado então emitiu uma risada sinistra. “Ahhhh… a humanidade.” disse com voz rouca rindo novamente. Era um som acre, agoniante. O médico não sabia exatamente explicar porque, mas o incomodava aquele riso. E o tom da voz ligeiramente diferente… como se ecoasse… em algum outro lugar. “Não pode ajudá-lo… Ninguém pode… ele é meu. E vai se meu… PRA SEMPRE!”. Então todos os vidros do consultório, mais os vidros do corredor estilhaçaram-se em incontáveis pedacinhos… até mesmo as lentes dos óculos do médico… elas caíram espatifadas aos seus pés… ele olhou para baixo a tempo de vê-las caindo.. os tímpanos zunindo de leve pelo barulhão.

Quando tudo novamente era silêncio… ele ergueu novamente os olhos para o paciente, que agora não estava mais sentado na cadeira, mas em pé bem na sua frente… os olhos negros… o sorriso animalesco de soslaio… “Como… um homem da ciência explica isso??? Hum?” a voz horrenda fez um arrepio correr-lhe pela espinha…

Do lado de fora no corredor os enfermeiros se recuperavam do susto… “Meu Deus do céu o que foi isso??” alguém perguntou. “Estão todos bem??? Alguém se machucou?” outra pessoa perguntou. O enfermeiro e a enfermeira que haviam há algumas noites presenciado o grito do paciente, que agora estava com Doutor Paulo dentro do consultório se entreolharam. Ele fez o sinal da cruz três vezes… “Cada dia que passa esse lugar está mais estranho…” disse ele olhando para ela. “Se eu não precisasse tanto do emprego eu vou te contar viu…” Ela abriu a boca para dizer algo mas foi interrompida quando de dentro da sala todos puderam ouvir a voz do médico… “Ahhhhh meu Deus… Não!!! Não!!! NÃOOOOOOOO!!!

Continua… Postado originalmente em 06/05/2016 em Estante da Shao