solitario

Fala terráqueos como vão vcs??? Eu tô legal… De verdade, eu tô legal. Quando eu comecei a escrever este texto eu estava bastante desanimada e eu queria falar exatamente de desânimo. De como de vez em quando as coisas acontecem, coisas ruins ou simplesmente como de vez em quando as coisas não saem exatamente como planejamos. Nós só conseguimos pensar em como tudo dá errado e parece que perdemos o controle de tudo, e então parece que a vaca foi de vez para o brejo.

É normal nesses dias ficarmos desanimados. E era bem assim que eu estava no dia que eu comecei a escrever este texto. Mas depois… eu larguei o texto pra lá e resolvi tirar uns dias de foga de me preocupar com as coisas. Sério… eu fui trabalhar normal, todos os dias porque eu não sou rica (e acho que nunca serei) e afinal de contas os boletos não se pagam sozinhos não é mesmo? E geralmente quando eu estou trabalhando ou fazendo as coisas que precisam serem feitas na vida eu não tenho tempo para ficar pensando em bobagens, não dá tempo de ficar com pena de mim mesma…

E todos os dias depois de trabalhar o dia todo, quando eu tô voltando pra casa no meu carro, pela Radial Leste, ouvindo meu Spotify ou ouvindo o rádio… meio que começa bater meio que aquele desânimo de novo sabe? Mas, então num desses dias, voltando pra casa eu tive uma epifania. Eu parei no farol bem do lado de um busão todo estrupiado. Lotado até não poder mais, aquele calor dos infernos que fez nas últimas semanas do inverno (que nem parecia inverno, parecia o inferno) e me ocorreu que há uns quinze anos, quando eu tinha começado a trabalhar na Prefeitura… eu era mais feliz.

Porque claro, minha mãe estava viva ainda, eu tinha começado num emprego novo, um emprego estável onde eu podia ficar sem aquela preocupação de ser mandada embora, apesar do salário ser um terço do que o mercado de trabalho particular pagava na época. Eu ganhava menos (na verdade eu ganhava mal pra caramba – pra vcs terem uma ideia eu abandonei um salário de 1200 reais de professora eventual por um de 400 pra trabalhar com impostos na Prefeitura) eu andava de busão, eu tinha acabado de abandonar minha carreira de professora, e abandonar a área de letras que é area que eu amo, mas eu estava mais feliz do que eu estou neste momento da minha vida. Onde eu ganho mais, tenho casa, tenho carro.

Tá certo que eu não tinha vários problemas de saúde que eu tenho hoje, mas eu tinha outros. A grande verdade é que minha saúde nunca foi das melhores. Mas antigamente isso não costumava me deixar tão baqueada como tem deixado. E a epifania do momento foi justamente isso… eu tinha tão menos antes, e tinha também doenças. Mas eu olhava para tudo na vida com otimismo. Eu era aquela pessoa que via o copo meio cheio… e de uns tempos para cá eu comecei a ser a pessoa do copo meio vazio. Eu não sei precisar exatamente quando isso aconteceu. Mas só sei que aconteceu.

E logo depois do meu aniversário em julho eu cheguei a pensar em desistir de um monte de coisas. Porque (pensei eu) que adianta eu lutar, lutar para conseguir as coisas e acabar como quase sempre morrendo na praia? Me parece um esforço desnecessário. Mais uma vez a vida tinha me passado uma rasteira e eu caí com a cara na poeira. E então eu pensei… quer saber? Acho que eu nem vou fazer força pra me erguer de mais esta rasteira da vida eu acho que vou ficar aqui no chão mesmo…

Mas nesse dia que eu tava parada com meu carro no semáforo eu tive essa epifania e entao eu disse pra mim mesma. Toma vergonha nessa cara Ceres. Olha só pra vc! Vc tá indo de carro pra casa, vc não tá lá no busão lotado. Seu salário é razoavelmente bom, antigamente vc ganhava uma merreca. Vc tem plano de saúde não tem mais que ficar passando mal no corredor do SUS. Que é que custa vc fazer um esforcinho e tentar ver as coisas com os olhos mais coloridos, fazer uma forcinha para ser mais otimista. Não custa nada não é mesmo?

Aliás, meu lema de vida sempre foi… não levar a vida muito à sério porque afinal de contas ninguém sai vivo dela. E de uns tempos para cá eu tinha deixado de agir assim, eu tinha me esquecido disso e estava me levando muito a sério, levando a vida muito à sério. Talvez, em vez de ficar no chão mesmo cada vez que a vida me derruba, eu só precise carregar uma mochila menor.

Vou terminando este post por aqui… Espero que vcs tenham curtido o texto de hoje. Caso tenham gostado, deixem um comentário. Bora interagir. Se vc tem um blogue também deixe aí o seu link para eu conhecer seu trabalho. É sempre bacana conhecer o trabalho de outros escritores e fazer novos amigos. E eu acho que é isso aí, amanhã como sempre estaremos de volta com mais uma postagem.

Abraços, Shao