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Fala terráqueos como vão vcs??? Espero que vcs estejam bem! Eu tô legal… E cá estamos nós em mais um domingo filosófico. Na verdade eu estou em casa numa sexta-feira de feriado escrevendo este texto. Entretanto ele só vai ser publicado num domingo num futuro não muito distante. Para mim ainda é janeiro mas este post só vai ver a luz do dia em abril.

Mas esses dias atrás eu estava sentada, num laboratório, esperando a minha vez de ser atendida, e como sempre eu estava lendo um livro no celular. Mas tinha gente para caramba na minha frente… Janeiro é aparentemente o mês que todo mundo resolve retomar academia, exames, essas coisas… e eu li umas 50 páginas do livro (minha meta de leitura vai bem obrigada) então eu notei que eu tinha apenas 50% de bateria e resolvi guardar o celular porque eu estava sem carregador no carro e eu ainda ia ter que usar o Waze para sair daquele bairro e navegar até meu trabalho (onde eu tinha esquecido meu carregador).

Então eu me pus a pensar na vida, coisa que eu raramente faço hoje em dia porque eu raramente tenho tempo. E começo de ano sempre deixa a gente num estado meio que contemplativo das coisas não é mesmo? Sempre começa com aquele pensamento… nossa… mais um ano se foi. Nossa eu tô com 42 anos… onde foram parar os últimos 5, 10, 15, 20 anos? Daí as coisas vão progredindo e se a gente não ficar atento chega naquelas perguntas sem respostas, para aqueles pensamentos profundos, quem sou? Onde estou? Para onde vou? Neste começo de ano eu estava pensando em como algumas coisas mudam tanto com o passar dos anos e como outras coisas permanecem as mesmas, não importa quanto tempo se passe.

O que me faz questionar… será que algumas coisas são tão intrinsecamente conectadas ao nosso eu interior que elas acabam sendo impossíveis de se modificar? Como assim Shao? Que coisa mais confusa… Assim, deixa eu ver se eu me faço entender… Por exemplo, vamos supor que uma pessoa seja extremamente tímida, que desde que vc conhece aquela pessoa ela era o retrato da timidez. E desde que ela se entende por gente ela se sentia assim, tímida diante de tudo e de todos. Eu falo de timidez por experiência própria, eu sempre fui muito tímida. Claro que se vc perguntar para os meus amigos e minha família eles vão dizer hahahahaha tímida a Ceres? Tá bom! Que piada! Mas a verdade é que eu sempre fui muito tímida e até certo ponto eu ainda sou.

Mas com o passar dos anos, trabalhando fora e trabalhando em atividades que exigem de mim agir de forma extrovertida e me comunicar bem, falar com pessoas estranhas praticamente todos os dias da minha vida… eu acabei aprendendo a driblar a timidez. Existem situações que eu ainda fico sem jeito, acanhada, massss… eu respiro fundo, conto até dez e vou lá e lido com a minha timidez. Dependendo da situação com um quê de seriedade, ou então um quê de comédia… e assim a gente vai levando. E no final das contas a maioria das pessoas que me conhece jamais imaginariam que na minha adolescência, eu chegava a travar, gaguejar, de tão tímida que eu era. Que eu tinha fobia social, um monte de gente estranha e situações sociais desconhecidas chegavam a me dar dor de cabeça.

Eu simplesmente não me encaixava muito bem… não era (e ainda não é) do meu feitio, socializar com facilidade. Hoje é mais fácil para mim? Não, não é! Ainda é difícil, eu ainda fico incomodada de ter que socializar com as pessoas numa festa, num evento social, numa reunião de trabalho… mas eu sei que eu posso fazer aquilo, que eu posso me sair bem naquela tarefa então eu vou lá e faço. Mas os primeiros minutos, a primeira meia hora geralmente, me deixam extremamente incomodada. Como um peixe fora d’água literalmente.

E não importa o que eu faça, terapia, cursos de oratória e comunicação… nada até hoje consegue mudar essa sensação dentro de mim. Esta sensação de não pertencer, de não se encaixar. E eu me pergunto, será que esta característica minha, este pequeno detalhe da minha personalidade é algo tão meu, tão entranhado no meu ser que nada jamais será capaz de mudar isso em mim? Aliás, essa sensação de extrema dificuldade em se encaixar na minha família, na escola, no trabalho, na sociedade em geral sempre foi uma constante para mim. Por causa da timidez claro, mas não só por isso… sabe quando vc realmente não entende a maioria das pessoas?

Tipo, a maioria das coisas que vc gosta de fazer, que vc se sente realizada fazendo não faz muito sentido para as pessoas. Para a maioria dos seus familiares e amigos vc é o esquisitão! Querem ver que curioso, quando eu era criança a maioria dos meus amigos gostava de futebol, eu gostava de vôlei. A maioria da galera curtia sertanejo e pagode, eu gostava de música internacional, gostava de música clássica. Enquanto a galera assistia novela, eu curtia filme de ficção científica, série favorita era Arquivo X enquanto a galera curtia as primeiras temporadas da Malhação. Minhas amigas colecionavam papel de cartas, eu colecionava chaveiros, moedas e selos de diversos países. Quando chovia, eu gostava de ler livros, qualquer livro que caísse nas minhas mãos, mas eu adorava livros de história que falava de mitologia, Roma, Grécia e Egito… No meu aniversário eu queria ganhar um telescópio em vez de uma bicicleta (mas o telescópio era bem mais caro que a bicicleta, então eu ganhei a bicicleta mesmo), para ver as estrelas a lua e eu tinha posteres das constelações dos hemisférios celestes pendurados nas paredes enquanto minhas primas tinham fotos da Capricho e outras revistas adolescentes… e eu podia continuar dar exemplos numa lista infinita. Mas acho que deu para vcs entenderem né?

Eu eu sempre ficava com aquela sensação de não me encaixar perfeitamente na maioria daquelas situações. O que eu fazia? Eu geralmente me encaixava… eu brincava das coisas que a maioria das crianças queria brincar. Eu assistia o que a maioria queria assistir (afinal era uma TV só para toda a galera na casa da minha vó), eu aturava as músicas que a maioria da galera curtia e “me encaixava”. Mas eu não me sentia “encaixada”? Se é que vcs me entendem. Vcs já se sentiram assim alguma vez? Não é legal, não é mesmo… parece que vc tá sempre cedendo, sempre fazendo concessões… sempre deixando pra lá o que vc gostaria de estar fazendo para se enquadrar, para fazer parte da turma.

Eu acho que todo mundo passa por isso… ainda mais na adolescência, quando tudo é mais intenso, e que é aquela parte da nossa vida que a gente tá perdida naquelas grandes questões humanitárias que não sabemos quem somos e o que queremos… Mas a gente quer fazer parte… ninguém quer ser o esquisitão, ninguém quer ser o diferente. Ninguém quer ser a peça que não se encaixa no grande quebra-cabeças da vida… pelo menos não na adolescência. Vc quer ter amigos, vc quer pertencer! E a coisa mais difícil do mundo é vc encontrar este sentimento de que vc realmente pertence à alguma coisa. Porque pertencer é se encontrar e finalmente fazer as pazes com seu eu interior. Eu ainda tô buscando esta parte de fazer as pazes com meu eu interior… talvez demore um pouquinho… talvez demore o resto da minha vida… não sei. O importante é continuar tentando né?

Vou terminando este post por aqui… Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

See you guys around the corner
Shao