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Fala terráqueos como vão vcs??? Espero que vcs estejam bem! Antes de mais nada se vc está lendo este texto no Facebook Clica no link aqui embaixo para ler o texto completo. Eu tô legal… Antes de mais nada deixa eu dizer para vcs que o tema que vamos falar aqui e agora não é um tema legal, é importante mas não é legal. Vamos falar de violência doméstica… Eu sei que eu usei uma imagem de uma mulher espancada no começo do post mas… não é exatamente de violência contra a mulher que eu vou falar, eu vou falar de violência doméstica em geral e dos vários tipos de violências que podem acontecer entre as quatro paredes de uma casa.

Não foi de propósito este post ter ido ao ar pouco depois do carnaval, onde sabidamente várias assédios e violências acontecem com as mulheres que resolvem irem desacompanhadas de divertir nos bailes, nos blocos. Eu escrevi este post tem meses, por conseguinte tem meses que ele está agendaddo esperando o dia dele para ser publicado. Mas veio a calhar, sendo que diversas notícias de violência contra a mulher permearam e chocaram a gente (mais uma vez né?) nas últimas semanas. Vários, incontáveis casos de feminicídio, agressão, estupro. Os que mais chamaram atenção foram os seguintes:

Teve o caso Jane Cherobin, de 36 anos, foi abandonada numa estrada do Espírito Santo após ser espancada e estuprada pelo namorado com quem ela tinha um relacionamento há dois anos. Que só a abandonou na beira da estrada porque acreditou que ela estava morta. Teve o caso da empresária Elaine Caparroz de 55 anos, espancada por 4 horas dentro da própria casa também pelo namorado que ela conheceu pela internet e que se correspondeu com ela por 8 meses antes de a conhecer pessoalmente. E o que mais me deixou horrorizada (não que os outros casos não tenham deixado) uma idosa, de 101 anos, completamente incapaz de se locomover e também de se defender foi estuprada peo próprio genro, em sua própria casa. A filha da idosa desconfiou do sujeito e instalou câmeras no quarto da idosa e foi feito o flagrante. Ela denunciou o companheiro com com quem vivia há 20 anos.

O criminoso do primeiro caso estava foragido até a última vez que eu li sobre o caso. O segundo criminoso está preso masss… já está com a defesa pronta e apregoando para quem quiser ouvir que “assim que isso acabar ele vai embora do Brasil e tá tudo certo”. O terceiro também está preso, mas a família do indivíduo está ameaçando a idosa e os parentes que são responsáveis por ela… Eu fiz esta longa introdução… narrando, três… de milhares de casos de violêcia que acontecem todos os dias. Eu foquei em violência contra a mulher, mas este tipo de violência ocorre com crianças, com adultos, com um monte de gente todos os dias…

Como seres humanos, nós convivemos em sociedade, e conviver em sociedade não é fácil é no mínimo desafiador e no máximo extremamente difícil. E quando eu falo de convívio social isto inclui as pessoas que moram conosco. No meu caso, desde que minha mãe faleceu moramos na mesma casa eu e meus irmãos. Meu pai tem a casinha dele e a nossa casa onde vivíamos com a nossa mãe virou uma espécie de república onde três adultos dividem as contas, as responsabilidades, os bons e os maus momentos… Felizmente nos damos super bem, temos as nossas diferenças, que são resolvidas na maioria das vezes conversando, em umas poucas vezes a gente se resolve no berro (porque a gente é neto de italiano, de vez em quando a gente perde a mão no volume, geralmente quando estamos contentes raramente quando estamos bravos)… mas nunca, NUNCA a gente parte para a agressão física, agressão verbal, e principalmente nunca faltamos com o respeito.

A nossa mãe era a mediadora de conflitos entre nós. Somos três pessoas de idades, personalidades e ideias diferentes. Toda a vez que essas nossas características nos levavam a entrar em conflito era aquilo “Mãe, olha ele/ela”. Quando ela se foi, demorou um tempinho até a gente desenvolver nosso próprio método de resolução de conflitos. Ele é formado por, não discutir de cabeça quente, parar, respirar, se acalmar, tentar ver o lado do outro e então conversar. Envolve também ter que engolir uns sapos de vez em quando. Deixar pra lá outras vezes. Mas na maioria das vezes pensar antes de falar, e principalmente pesar… o que vale mais a pena? Ter paz ou ter razão? Em casa, aprendemos valorizar a paz e tentamos respeitar uns aos outros. Nem sempre dá certo, às vezes dá merda? Ás vezes ficamos com raiva uns dos outros? Ás vezes ficamos magoados? Sim, somos humanos. Mas na maioria das vezes funciona.

E por que eu fiz esses parênteses sobre minha relação com meus irmãos? É Shao, isso não tem nada a ver com violência doméstica. Tem sim. Nossa relação é baseada em duas coisas amor e respeito. Toda relação, seja de amizade, seja familiar, seja um relacionamento romântico, se não tiver esses dois sentimentos em sua base… corre um grande risco de se tornar uma relação abusiva, corre o risco de abrir as portas para algum tipo de violência doméstica. O grande problema é que às vezes deixamos a sementinha desta violência crescer sem nem sequer nos darmos contas de que ela está crescendo ali no seio da nossa família, dentro da nossa própria casa. Não nos damos conta porque não vemos aquela como uma relação abusiva, criamos desculpas para a própria pessoa e não vemos porque na maioria das vezes não queremos ver.

Eu testemunhei, várias vezes durante muitos anos diversas formas de relacionamentos abusivos. Eu cresci num ambiente abusivo, eu presenciei violência doméstica, violência física, violência verbal. Eu fui uma vítima colateral, indireta, como toda criança que vê seu pai ou sua mãe, seus avós, serem agredidos dentro de casa. Pessoas próximas à mim sofreram coisas piores. Eu não vou descrever aqui uma por uma porque evolve terceiros e isto pode gerar problemas judiciais e tal… e também porque são águas passadas e  isso nem vem mais ao caso. Mas existem vários tipos de abuso… Tá rolando uma campanha na internet para que a mulherada ligue 180 e denuncie a violência contra a mulher. Onde eu moro, temos uma vizinha que apanha do marido periodicamente… a gente tá de boas lá em casa, eu e meus irmãos e então a gente escuta a gritaria. Não se ouve um pio do cara, só a gritaria da mulher pedindo socorro, ‘ele vai me matar’ ela berra.

Eu e meus irmãos já chamamos a polícia e denunciamos no 180 diversas vezes… é desanimador os resultados. Quando a polícia chega para averiguar, ela mesma (por medo talvez, não sei) manda a viatura embora e diz que não tá acontecendo nada. a mulher tem três filhos, os três com menos de cinco anos de idade. Várias vezes eu ou meus irmãos chamamos a polícia porque as crianças estavam gritando desesperadas, assistindo ao pai espancar a mãe delas. Muita gente fala… ahhhh mas a gente chama a polícia e ela manda a polícia embora, ela gosta da vida de apanhar na cara, deixa ela, não se mete, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher…

Mas nesses casos é preferível pecar pelo excesso que pela falta, eu prefiro fazer a minha parte… que é denunciar. O grande problemas é que as providências cabíveis  tomadas por quem é de direito não são efetivas na maioria das vezes. Existem medidas protetivas e outras coisas mas não impedem muitas vezes da mulher continuar sendo agredida e até mesmo ser morta…  Então galera, denunciem, mesmo que o senso comum diga para a gente não se meter… o bom senso nos diz o contrário. É anônimo, a pessoa não vai ficar sabendo que foi vc e vc pode estar salvando uma vida. Porque às vezes a pessoa que está vivendo aquela situação está tão presa no círculo vicioso que ela não tem noção do quão em risco a própria vida está. Pense bem, podia ser sua mãe, sua avó… para vc mulher, podia ser você!

Vou terminando este post por aqui… Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

See you guys around the corner
Shao