banner

Manuel correu, correu, correu sem parar e sem olhar para trás. Não acreditava que seu humano queria separar ele do amor da sua vida. Mas ele não ia deixar… não senhor. Ia fazer como um amigo de batalhão do seu humano fizera uns anos atrás… iria desertar!

Numa das muitas cidades pela qual o pelotão passava… O rapaz se apaixonara por uma moça mas os pais dele e os pais da moça não acharam que era uma boa união e proibiram os dois de se verem novamente. O rapaz fizera as malas na calada da noite e roubara a moça da casa dos pais dela e os dois sumiram no mundo. Nenhum dos companheiros do pelotão nunca mais ouvira falar dele. Enquanto corria em direção à casa de Morena.

Durante meses os soldados conversaram entre si, como o tal rapaz havia jogado fora uma oportunidade de ouro, uma carreira promissora… Na época ele não entendera muito bem, mas agora ele não concordava nem um pouco com o que os outros humanos estavam falando. O soldado desertor era u único que estava certo. Eles dois estavam certos, eles eram os únicos que sabiam o que era o amor e ele não ia deixar que as outras pessoas determinarem o que nem quem era certo ou não para ele… Não senhor, nada disso… ele não ia aceitar esse absurdo, era ele quem decidia as coisas na sua própria vida.

Correu, correu e correu mais ainda… correu até ficar sem fôlego. Estava triste, estava decepcionado… e um pouco desesperado. Queria contar tudo para Morena… parou no meio da estrada… olhou para um lado e para o outro. Atravessou a estrada e se enfiou no meio da plantação… que devia ser de milho. Sentou-se e ficou por longos instantes olhando para o nada. Tentando engolir a tristeza.

Como é que seu humano… que até então era o melhor humano do mundo, que sempre lhe dera a melhor comida, carinho e atenção. Que nunca fora mesquinho… Como é que ele podia querer que ele não ficasse com quem ele amava?? Como ele podia não querer que ele fosse feliz com o amor da sua vida.

Continuou caminhando lentamente e cabisbaixo até a casa de Morena. Ela tinha que saber. Ele tinha que fazer alguma coisa. Chegou de mansinho na casa, Morena estava em seu posto, em cima do telhado… tomando conta da família como sempre. Ele a observou silenciosamente por alguns instantes. Então respirou fundo, tomou coragem e subiu até o telhado fazendo barulho suficiente para que ela ouvisse seus passos. Depois de tantos dias juntos, Morena já tina decorado o barulho característico de suas pegadas. Ela olhou para ele, um sorriso no rosto enquanto ele se aproximava.

– Olá. Achei que ia ficar com seu humano hoje…

– Precisamos conversar. Disse ele e ela apenas o encarou curiosa. – Você quer fugir comigo???

Continua…