familia

Fala terráqueos como vão vcs??? Eu tô legal… neste instante eu estou morrendo de sono, mas eu tô legal. Eu só não vou dormir agora porque senão depois eu não durmo à noite e vou acordar zoada para ir trabalhar amanhã…

Esses dias de domingo geralmente são dias deprimentes e eu fico, quando eu não tenho muita coisa para fazer, pensando no passado e nas coisas que aconteceram, e claro a gente fica com saudades do passado. Eu não sei se eu comentei aqui no blogue mas, toda a vez que acontece alguma tragédia na minha família… sempre ao mesmo tempo acontece coisas extremamente engraçadas… É sério, eu não tô brincando.

Por exemplo, morre uma pessoa… daí tá todo mundo extremamente triste com a morte da pessoa lá no velório e então acontece uma coisa absurdamente engraçada. Na hora, que vc tá ali naquela situação absurdamente triste vc não acha graça, mas passam uns tempos, a tristeza recede e vc lembra do que aconteceu e vc pensa, mano eu não acredito que isso aconteceu… mas aconteceu de verdade e então vc morre de rir.

Toda a vez que tem um velório ou um casamento na minha família acontece alguma coisa desse tipo… Claro que hoje em dia as pessoas não se casam mais então… as coisas engraçadas acabam acontecendo mais nos velórios mesmo. Se não acontece alguma coisa histericamente engraçada… não é velório da minha família… Quando meu pai morreu tiveram acontecimentos assim, quando meu avô morreu também e a mesma coisa quando a minha mãe morreu…

Mas hoje eu vou contar apenas o que aconteceu quando meu avô morreu. Meu avô quando estava vivo era um piadista de marca maior, bem como a minha mãe… eles dois eram as pessoas que animavam qualquer ambiente e eram as pessoas que estavam ao seu lado para te ajudar no que fosse necessário quando vc precisasse. Quando alguma pessoa morria, meu avô era o cara que contava histórias engraçadas e fazia vc morrer de rir no velório… porque esse era o jeito dele e ele dizia que não queria ninguém triste no velório dele. Mas não tem como… quando vc perde uma pessoa como a pessoa que ele era… é claro que vc fica triste.

Entretanto eu acredito que a alegria que ele carregava com ele em vida, quando ele se foi transbordou pelo mundo e ficou um pouco com a gente… Quando meu avô era jovem a nossa família era muito católica… meu avô era muito católico. Mas no decorrer da vida dele, ele mudou de igreja, ele se tornou evangélico (como a maioria da minha família aliás). E eu já vou explicar porque isto é relevante para a história do post. Porque uma parte da família ainda é católica e meu ainda em vida vô dizia, “quando eu morrer não me vão acender vela, e colocar crucifixo perto do meu defunto porque agora eu sou evangélico e não acredito mais nessa iconografia toda.” E toda a família respeitou a vontade dele…

e no dia do velório dele estávamos todos muito tristes e eu me lembro que num determinado momento, diversas pessoas que trabalhavam comigo chegaram para prestar as condolências, à minha família… e uma das pessoas dessa galera (que nem trabalhava comigo fazia muito tempo, e era meio doida e graças a Deus já não trabalha mais comigo) chegou e como todo mundo prestou as condolências e tal acabou causando o momento estranho/engraçado do dia…

Num dado momento… não me lembro eu porque cargas d’água… todo mundo saiu da sala onde estava o caixão com o corpo, estavam todos do lado de fora, a maioria na porta… mas num determinado momento aconteceu do caixão ficar lá sozinho. E eu depois de falar com minhas amigas e colegas de trabalho, me afastei do grupo um instante, eu estava bem na porta da sala do velório… então eu vi essa doida chegando para minha ex-chefe e falando alguma coisa, e todo mundo vira pra ela e fala ao mesmo tempo “Não, vc tá doida???”.

Acontece que eu estava conversando com outras pessoas e não fiquei sabendo o que estava acontecendo na hora… eu fui ficar sabendo depois. Que ela tinha chamado todo mundo e tinha falado. “Gente, vamos entrar lá o corpo tá sozinho, não pode deixar o corpo sozinho, chama todo mundo, toda a família e vamos rezar uma novena, ascender umas velas em volta do corpo senão a alma não encontra a luz do criador…”. Daí o pessoal virou para ela disse que não, que a família toda era evangélica, que o meu avô era evangélico que os costumes eram outros, se ela quisesse ela que entrasse lá e fizesse as orações dela em silêncio tal, mas que ela respeitasse os costumes e as crenças da família.

Acontece que ela não deu muitos ouvidos pro conselho que deram a ela… Ela não chamou ninguém, mas ela entrou sozinha lá na sala com o caixão e começou a rezar… sozinha. Enquanto isso lá fora… eu estava ainda conversando, eu vejo meu irmão passando em frente à porta da sala, ele dá uma olhada lá para dentro… arregala os olhos e entra lá dentro apressadamente. Daqui uns segundos eu vejo ele saindo de lá de dentro praticamente abraçado na doida. Uma das mãos em volta da cintura dela e a outra segurando a outra mão dela esticada para a frente assim como se estivesse dançando tango com a mulher…

Eu olhei pra ele e fiz um sinal com as mãos como quem diz “Que diabos tá acontecendo??? Que vc tá dançando tango com a fulana dentro da sala do velório???”. Ele me faz um sinal que queria dizer “Depois eu te explico” e ele vai com a mulher lá para fora. Passa um tempo… ele volta de lá de fora com a cara mais contrariada do mundo e vem direto falar comigo. Daí eu pergunto pra ele o que foi que aconteceu e ele me fala. “Sua amiga doida estava lá dentro com o caixão e estava rezando… daí ela terminou a reza dela e se benzeu fazendo o sinal da cruz e daí ela foi fazer a mesma coisa com o vô… foi benzer o defunto!”. E ele estava indignadíssimo!!

Eu não sabia se eu ria da indignação dele, se eu ria da situação… Se eu ficava indignada com ele. Aí eu disse: “Ah Carlos, mas é o costume dela, ela é católica…”. Ele:” Eu sei, mas o vô falou que ele não queria nada disse no enterro dele, eu já tava vendo ele ressuscitando só pra dar um pedala na mulher… Eu salvei ela, acredite em mim… teria sido bem pior se ele tivesse acordado e dado um pedala nela.” E aí eu não tive como não ter uma crise de riso… primeiro porque se meu vô estivesse vivo era bem isso que ele faria mesmo com um ‘sai daqui’.

Segundo porque a reação do meu irmão é aquela típica de quem ainda não caiu a ficha que a pessoa morreu, e que quer seguir ainda a risca aquilo que a pessoa queria, como se a pessoa estivesse alí assistindo tudo e fosse dar uma bronca nele por ele não tomar conta deste detalhe tão importante do velório dele.

Vou terminando este post por aqui… Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

See you guys around the corner
Shao