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Manuel era a felicidade em pessoa. Passeando pela noite calma de cidadezinha do interior. Uma noite sem nuvens no céu, podia se ver todas as estrelas brilhando lá em cima no firmamento. Um número infinito de estrelas… Sempre que voltava para a cidade grande com seu dono, ele sentia falta de olhar para o céu e ver as estrelas… Na cidade cheia de prédios e fumaça não era possível vê-las. Isso sem falar da paisagem…

Não que ele não gostasse dos prédios, alguns deles eram até bem bonitos mas não era a mesma coisa, a visão majestosa daquilo que a mãe natureza criava quase sempre sobrepujava qualquer coisa que o ser humano construísse… Pelo menos essa era a opinião de Manuel… Tá certo que ele era apenas um animal, apenas um gato… Mas gatos também tinham direito a uma opinião não???

Admirou novamente a bela paisagem iluminada pelo luar. Tudo isso somado ao fato de que finalmente estava passeando com a linda Morena. A gata mais linda de todo o planeta. Novamente, está era apenas a opinião de Manuel. A gata que cativara sua atenção por dias, a gata que cativara seu coração vagabundo.

Ela trotava calmamente pela estrada enquanto Manuel trotava alegremente ao seu lado, ora mais adiante, ora mais atrás, ora ele corria e circulava ao redor dela… Tudo isso sempre com um sorriso na cara branca. E conversavam alegremente. Contando um para o outro sobre suas vidas. Manuel contava como o seu dono o encontrara, como o adotara e descrevia para Morena todas as cidades que já passara, os lugares que conhecera, todos os diferentes lugares e as diferentes pessoas e as diferentes comidas.

Enquanto que Morena contava-lhe que sempre vivera na fazenda, falava de sua família e de como amava sua vida com seus humanos na fazenda. Suas tarefas e de como elas eram importantes. De como ela precisava tomar conta de todos eles e de como isso era sua responsabilidade. Manuel ficaram impressionado. Nunca parara para pensar que um simples gato poderia ter tanta responsabilidade para com seu humano. Manuel achava que sua função como animalzinho de estimação era, brincar com seu humano e deixar que ele tomasse conta de Manuel e o alimentasse e o mantivesse aquecido… Não o contrário. Falou isso para Morena…

E ela tratou de explicar para ele que não, que na verdade eles tinham que tomar conta dos humanos, porque eles eram mais rápidos, ágeis e tinham os instintos muito mais aguçados. Morena subiu numa pedra grande de onde podiam avistar toda a campina iluminada pela lua.

– Eu nunca tinha imaginado isso. – Manuel falou coçando a cabeça.

– É nossa responsabilidade tomar conta deles.- disse ela solenemente. Ele olhou profundamente nos olhos dela e novamente ficou como que hipnotizado por aquele par de olhos.

– Se você está dizendo isto eu acredito, linda Morena. – disse com um sorriso galanteador. Desta vez ganhou um sorriso de volta. – Vou tomar mais conta do meu humano a partir de hoje.

Os dois permaneceram sentados lado a lado na pequena elevação observando a paisagem por um longo tempo, sem trocar nenhuma palavra. Apenas felizes de estarem na companhia um do outro em silêncio. Talvez o amor fosse isso… encontrar uma pessoa que te completasse sem precisar de mais nada, de palavras de atitudes. Alguém que fizesse com que você tivesse vontade de caminhar junto e ficar horas sentados juntos em silêncio numa linda noite de luar.

Continua…

Publicado originalmente em 24/06/2016 em Estante da Shao

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