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Depois que a dona do hotel deixou Kael sozinha em seu quarto ela se jogou na cama, estava exausta. Paulo se ajeitou no quarto e foi até o quarto de Kael. Ele bateu na porta e ouviu um ‘entre’ abafado pela porta pesada. Ele entrou. Kael não se moveu de onde estava.

– Então… parece que você finalmente sabe alguma coisa sobre sua família. – disse ele sentando-se ao lado dela.

– Pois é… mas fico com a sensação de que tem muito mais história…- Paulo assentiu. – Meu Deus eu estou tão cansada… acho que eu poderia dormir por um mês.- disse ela mudando de assunto.

– Por que você quis se hospedar aqui em vez da mansão??? – Ela abriu os olhos. – Quero dizer, tem algum motivo?? Ou.. é mais um daqueles seus ‘avisos do sexto sentido’?- perguntou ele com um sorriso irônico, apesar dele já estar acostumado com essas coisas de Kael. – Não sei ao certo… – disse ela encarando o teto. – Mas acho que você pode dizer que é mais um dos meus avisos… não foi uma razão específica, foi, uma sensação estranha.

– Ela disse que… nossa chegada deve ter deixado o Dr Franco perturbado.- disse ele coçando a cabeça. – Acha que ele ficou perturbado?

– Não sei… Mas não gostei dele ficar me encarando o tempo todo como se eu fosse um ET… – fez uma longa pausa. – Bem, de qualquer forma… se eu não tinha uma razão então, tenho uma agora para não ficarmos na casa dele. – disse ela fechando os olhos novamente.

– Certo.

Aqui não é tão ruim… não é um pulgueiro.- deu uma gargalhada. – Vou deixar você dormir. Você está um caco… amanhã temos um monte de coisas para fazer.

– Obrigada.- Kael riu, levantou-se para acompanhar a saída de Paulo e fechar a porta. Jogou-se na cama novamente, mas apesar do cansaço não conseguia desligar a cabeça, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Sempre foi dolorido para ela não lembrar da infância, dos pais… Mas o que mais a estava incomodando ainda era não saber porque seu tio não lhe contara toda aquela história. Ela tivera que ouvir aquilo de uma completa estranha… isso a irritava profundamente porque confiava tanto no tio, jamais imaginou que ele mentiria para ela… tinha que ter uma razão para isso… ele tinha que ter uma boa razão.

Acabou pegando no sono enquanto os pensamentos giravam incessantemente na sua cabeça. Adormeceu deitada como estava, vencida pelo cansaço de horas de viagem somadas ao estresse. Muito cedo na manhã seguinte ela acordou com um som longínquo de batidas na porta…

– Ei dorminhoca, hora de acordar! – Kael levou alguns segundos para se lembrar onde estava… Levantou-se, descabelada e abriu a porta. – Você dormiu assim? Espantou-se Paulo entrando no quarto sem nenhuma cerimônia. Ela assentiu sem palavras, olhou para o relógio… sete e meia… deixou-se cair novamente na cama. – Não, não, não… vc não vai dormir de novo. Você tem que comer alguma coisa. Vamos, levante-se vá tomar um banho, escovar os dentes, colocar outra roupa… eu espero você lá embaixo para o café… – Kael era uma verdadeira marmota de manhã e não gostava de conversar enquanto Paulo era absolutamente o contrário. Viu-o sair e fechar a porta… virou para o outro lado e voltou a dormir… precisava descansar… sete e meia era cedo demais para ela.

Publicado originalmente em 10/06/2016 em Estante da Shao.

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