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E aí terráqueos, beleza??? Espero que esteja tudo legal com vcs. Esfriou… a moça do tempo do jornal disse que ia esfriar e esfriou mesmo. Disse que a mínima hoje seria de dez graus.  Não está tão frio ainda mas tá com cara de que vai esfriar. Um sábado perfeito para não fazer nada… ficar na cama o dia todo assistindo Netflix hahahahahaha. Ou talvez PopcornTime, dependendo do filme que eu encontrar neles… tenho que terminar de assistir a quarta temporada de Bates Motel.

Mas hoje eu nem vou enrolar muito com o prólogo porque o tema do post é longo e complexo. Esses dias eu estava assistindo TV e vi os movimentos dos estudantes negros fazendo protesto novamente nas escolas, nas universidades e o discurso é sempre o mesmo… yadda, yadda, yadda… minorias… blábláblá… dívida histórica da sociedade para com os negros… mimimi… diferenças sociais.

Não me entendam mal… até certo ponto eu concordo que eles tem que protestar mesmo, que muito precisa ser feito para acabarmos com o racismo velado que existe no mundo (e grandemente na sociedade brasileira) e com as diferenças sociais e tal… Mas peraí… vamos por partes. Eu sou (como grande parte da sociedade brasileira, acredito eu) descendente de negros (bem como de portugueses, italianos, indígenas, alemães, etc… etc…). Meu pai era mulato. Entretanto eu não tenho a pele escura o suficiente para ser considerada negra (pelo menos não aqui no Brasil).

Qualquer pessoa que desconheça a minha origem me descreveria como uma pessoa branca. A mesma coisa meus irmãos. Porque nossa mãe era branca do cabelo bem liso… e a gente saiu mais à ela que aos nossos pais. O máximo que a gente tem de descendência negra é o cabelo enrolado o nariz nada afilado os lábios mais grossos. Mas a grosso modo a gente é branco. Então… se uma galera dessas do protesto esbarra com a gente. Vai discriminar a gente porque não somos ‘negros o bastante para eles’, não representamos a minoria.

Minha vó materna é descendente de índios e italianos. E a nossa família sempre foi muito pobre. Quando eu era criança… eu era tão pobre que eu mal tinha brinquedos, eu tinha alguns, que eu ganhava de tios e amigos da família que tinham mais condições que a gente. Eu tinha apenas um par de tênis para ir para a escola… Minha mãe trabalhava no Tribunal de Justiça e ganhava muito pouco, pessoal fala hoje em dia dos salários do judiciário mas eles não falam que nem todos os funcionários ganham tão bem quanto um juiz. E nos finais de semana ela fazia bolo e manicure pra fora para poder ganhar uma grana extra.

Depois ela casou com meu padrasto que era advogado e nossa situação melhorou um pouco e eu fui estudar em escola particular. Meu padrasto ralou pra caramba, trabalhando em até três empregos para conseguir manter a casa, ajudar aos pais e pagar a faculdade de direito. E eu olho para o meu background e o dos meus pais e dos meus avós e depois eu vejo essa galera que classifica a mim e aos meus irmãos de riquinhos, branquinhos… porque a gente não tem a negritude estampada na pele e porque estudamos a vida toda em escolas particulares e cursamos universidades particulares e dizem que a gente deve para o povo negro porque foram escravizados pelos europeus, que devemos aos pobres porque somos classe média e blablabla.

Sério que eu devo??? Eu não devo nada… na boa. Esses militantes deveriam estudar mais… por exemplo, vcs sabiam que lá… antes de Portugal virar um país, quando era tudo península ibérica apenas, os mouros (ou seja africanos, negros e muçulmanos) invadiram, dominaram e escravizaram os ancestrais do povo português por mais de trezentos anos??? Se eles estudassem mesmo… se a gente colocar na ponta do lápis… houve mais tempo de escravidão do negro pelo branco do que o contrário…

Ahhh e os brancos são historicamente mais ricos do que os brancos… se essa galera estudasse mesmo, eles saberiam que o cara mais rico de todos os tempos no mundo foi um africano, um rei negro chamado Mansa Musa I, ele era rei de uma área onde hoje ficam Gana e Mali. E o cara era tão rico mas tão rico que reza a lenda que por onde ele passou criaram-se cidades ricas com o ouro que ele deixava pelo caminho. Claro que a África foi estuprada pelos europeus, bem como a América do Sul e a América Central e que muito do ouro desses países hoje está nas igrejas de Roma… na Europa e tal… mas a África, já era explorada em suas riquezas pelos seus próprios moradores há tempos…

Os dominantes (negros) escravizavam seus vizinhos há muito tempo. E eram os negros que caçavam, prendiam e escravizavam seus conterrâneos e vendiam para os europeus e mandavam eles como mercadoria para todos os cantos do mundo. 

Claro que temos muitas desigualdades e claro que isso tem que ser corrigido, mas eu acho que o aproach que esses movimentos vitimistas tomam é tão errado. Deveria ser um aproach mais social e menos étnico. Eu adoraria ter participado de programas sociais que me auxiliassem quando eu era criança e pobre. Se existisse na época o bolsa família por exemplo talvez a minha mãe não tivesse tido que se matar tanto de trabalhar para comprar comida pra colocar em casa. Meu padrasto não teria que ter três empregos e dormir duas horas por noite para conseguir se formar. O caminho percorrido seria menos árduo.  Os programas sociais são necessários. 

Mas não são só os negros que merecem esse auxílio… todas as minorias deveriam ser beneficiadas, todas as crianças que estão à margem da sociedade deveriam merecer esse auxílio. Galera deveria pensar mais, estudar mais antes de sair berrando baboseiras aos quatro cantos e crucificando quem quer que seja… supondo que o caminho daquela pessoa na vida foi mais simples que o dela, sendo que nem sempre é a realidade. Achando que todo mundo deve alguma coisa a eles sendo que na verdade… que na verdade, eles devem a si mesmos se tornarem membros mais produtivos da sociedade.

Hoje eu sou formada, tenho dois cursos universitários, sou classe média… se eu quiser ser mais que isso… quem me deve alguma coisa? Os Europeus, os ricos, os mais brancos que eu? Não… eu devo a mim mesma… Eu tenho que levantar a minha bunda da cadeira e estudar e procurar por onde. Não me entendam mal, eu não sou defensora ferrenha da meritocracia… até porque… claro que o cara que tem mais condições financeiras vai ter um caminho menos árduo a percorrer mas e o caminho árduo que a os pais desse indivíduo tiveram que percorrer para que ele tivesse um caminho mais ameno? Deve ser desconsiderado? Vale menos?

Existe uma frase um ditado em inglês que diz mais ou menos assim… Se hoje eu estou no topo é porque eu estou em pé sobre os ombros de gigantes. E é bem isso, se meu caminho, foi menos árduo, se eu cheguei até aqui foi graças aos sacrifícios dos meus pais… 

Vou terminando este post por aqui… Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

See you guys around the corner
Shao