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Amor da minha vida hoje eu encontrei um caderninho aqui em casa, com a sua letrinha. De quando vc estava doente e não podia mais trabalhar mas não queria ficar em casa como uma inválida – suas palavras – Eu estou apenas doente, eu não estou morta ainda…

Vc me pediu para te dar umas aulas de português pra ver se finalmente vc aprendia gramática e te ensinar inglês. Eu me lembro que a primeira vez que vc me incentivou a aprender outro idioma foi quando eu sofri uma espécie de bullying, claro que na época a gente não chamava disso – a gente dizia, tiraram uma com a minha cara –  porque eu gostava de músicas internacionais mais eu não entendia as palavras.

E eu me lembro que eu estava doente na época, sem poder ir para a escola e os médicos achavam que minha saúde nunca melhoraria, que eu não poderia fazer muitas coisas na vida, estudar, me formar era uma delas… e eu me lembro que disse para vc… porque eu devo continuar estudando, eu nunca mais vou ficar boa, eu nunca mais vou ppoder voltar para a escola. E vc me disse vai sim e me comprou os livros e me incentivou a aprender outro idioma enquanto eu não pudesse voltar para a escola e que quando eu voltasse eu seria a melhor da sala na aula de inglês e enquanto isso eu poderia entender todas as músicas da Rocheti e do Michael Jackson…

Hoje em dia todo mundo me elogia dizendo nossa, quanta coisa vc sabe, nossa como vc lê bem… mas não sabe quais minhas razões, não sabem que foram quatro anos em que eu… durante duas horinhas por dia, estudava sozinha, sentada na minha cama… porque eu não tinha muito ânimo, nem forças para fazer mais nada…

E não pense que eu não sei que vc fazia os meninos fazerem palhaçadas e falarem os nomes das músicas errados só para me fazer rir.

E quando vc ficou doente… vc me pediu pra te ensinar o diacho do inglês. Mesmo vc não gostando nem um pouco da área de humanas, bem quando eu quis largar a faculdade para cuidar de vc… era vc novamente me dizendo… Não pare de viver… eu não desisti. Não desista também.  Infelizmente… diferente de mim… vc não ficou boa… vc não pôde terminar as aulas e entender as suas músicas preferidas…

Talvez vc soubesse que não ia ficar melhor… e sua intenção fosse… novamente como fôra da primeira vez apenas me dar novas esperanças. Me dando forças como sempre. Mesmo enquanto as suas se esvaiam lentamente sem eu saber.

Vou guardar o seu caderninho mãe… e quando eu desanimar ao encontrar algum pedregulho no caminho, quando olharem para mim e dizerem que eu não posso, quando algo quiser roubar de mim a fé e a esperança eu vou olhar para sua caligrafia )tão parecida com a minha – genética tem dessas coisas) e vou me lembrar que eu sou um pedacinho de vc… de vc que lutou, de vc que me deu forças e me apoiou mesmo quando era vc quem precisava de apoio. E vou continuar… mesmo quando eu tiver certeza que não vou conseguir, mesmo quando eu não tiver mais forças, mesmo morrendo de saudades suas… mesmo sabendo que não sou (e acho jamais serei) metade do ser humano que vc foi.

Porque é a única forma que eu possuo para honrar tudo o que vc fez por mim, é lutando, todos os dias as minha batalhas com a mesma honradez que vc lutou as suas e com essa força que vc deixou para mim e que me impele adiante apenas pela força da sua lembrança e do seu amor. Feliz Aniversário mãe…

Conheça a “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

See you guys around the corner
Shao

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