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E aí terráqueos, beleza??? Como vcs vão indo… estou trabalhando em posts… estou tentando agendar posts com um mês de antecedência. E apesar de estarmos entrando no mês de Junho na vida real, nas postagens nos agendamentos daqui do blogue estamos chegando em Julho. E Julho é um mês complicado para mim por causa do aniversário da minha mãe… Agosto também é complicado porque é o aniversário da morte da minha mãe…

Mas julho é mais triste… e como eu acabei de escrever o post de primeiro de Julho, que é o dia do aniversário dela, e foi um post saudosista… eu fiquei me lembrando dela e… eu fui uma pessoa muito abençoada por Deus por ter tido ela como mãe. E mais ainda porque eu tenho muitas histórias lindas para me lembrar… então, pra fechar os trabalhos de hoje eu vou contar pra vcs uma histórinha que eu vivi com a minha mãe… de tantas outras que eu vivi com ela essa ame deixa bastante feliz e eu não quero terminar meu dia com um texto triste… ainda mais num dia que eu tô de TPM.

Então bora lá… minha mãe sempre gostou de ler, mas a minha mãe teve, quando ela era criança… dois graves problemas que atrapalharam para que ela não desenvolvesse o seu lado leitora. O primeiro era que ela era muito pobre, não existia biblioteca na periferia no tempo dela, e meus avós não tinham grana mal para comprar comida quem dirá para comprar livros. Livros já são caros hoje em dia, imaginem naquele tempo…

E o outro problema dela era que ela tinha dislexia… ela sempre reclamava que tinha dificuldade de ler e ela só descobriu que tinha dislexia quando ela descobriu que o Carlos tinha dislexia, porque as mesmas dificuldades que ele tinha ela tinha também. Mas apesar disso minha mãe sempre achou que livro era uma coisa importante então apesar dessas dificuldades ela foi a minha grande incentivadora para que eu me tornasse a leitora ávida que eu sou hoje. Ela sempre me dava livros e livros e mais livros…

Minha mãe trabalhava no Tribunal de Justiça… mais especificamente no Fórum João Mendes Júnior que fica atrás da Catedral da Sé… e do lado do prédio que ela trabalhava ficava um dos maiores sebos de São Paulo, o Sebo do Messias, eu não sei se ele ainda fica lá porque faz muitos anos que eu não vou lá. Mas ela sempre passava lá nesse sebo e comprava um monte de livros para mim. E era legal porque era barato então com pouca grana, porque a gente nunca nadou em dinheiro, minha mãe trazia bastante livros para mim… clássicos da literatura e todos bem baratinhos.

Ela ficava feliz, eu ficava feliz… e a coisa mais legal que a gente vivia com essa experiência era que ela falava para mim: “Você lê e depois vc me conta a história”. E todos os dias, mais ou menos na hora do jantar, ou enquanto a gente estava jantando ou então minha mãe ainda estava preparando o jantar e eu ia contando toda as histórias que eu tinha contado para ela e eu ainda comentava o que eu tinha aprendido nas aulas de literatura da escola.

Depois quanto eu entrei na faculdade, pra fazer faculdade de letras… isso ficou cada vez mais legal. Mas os livros eram mais específicos… então eu passava pra minha mãe a lista de livros que eu precisava e ela ia no Sebo comprar para mim… e minha mãe não falava inglês… então uma vez eu cheguei nela e falei: “Mãe, eu preciso de um livro, vc vê se vc acha no sebo para mim? Chama “Hamlet” o autor é Shakespeare. Ela mandou eu anotar num papel que no dia seguinte ela iria no Sebo e traria para mim… Só que no dia seguinte ela perdeu o tal do papel… e na época eu ainda não tinha celular nem nada…

Então ela pensou…ahhh eu sei mais ou menos o nome do livro eu vou lá no Sebo… o vendedor deve conhecer esse escritor aí se eu não lembrar direito do nome ele me ajuda. Chegando lá ela vira e fala pro vendedor: “Moço, é o seguinte, minha filha tá fazendo faculdade de letras e ela precisa de um livro de um autor inglês e eu não sei direito o nome mas o cara é bem famoso… o nome do livro acho que é alguma coisa com “Omelete” e o escritor é um tal de Sheikeispirro…” – claro que o vendedor quase morre de ‘rir né… daí ele vira e pergunta pra ela. “Dona, não seria “Hamlet” do Shakespeare?” – ela: “Isso mesmo, moço é esse mesmo que eu quero…” e no final, entre mortos e feridos salvaram-se todos porque ela me trouxe o livro hahahahhahaa.

Mas esta não seria a última vez que Shakespeare iria cruzar a vida da minha mãe… eu tive que ler vários livros dele… o segundo que eu tive que ler era… “Macbeth” – adivinhem o que ela fez??? Isso mesmo: “Moço, lembra do tal do Sheikispirro??? Minha filha precisa ler outro livro dele… mas dessa vez é um tal de “Matei a Beth” – ele: “Macbeth???” – Ela: “Isso mesmo, vc é um cabra muito bom, é esse mesmo!” e trouxe de novo o livro. Mas aí no final do dia ela vira pra mim e fala… “Olha, da próxima vez que vc tiver que ler um livro desse tal de Sheikispirro vc mesma vai lá no Sebo porque eu tô cansada de pagar mico com aquele vendedor”.

Então é isso galera… vou terminando este post por aqui. Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

See you guys around the corner
Shao

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