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Fala galera, beleza??? Tudo beleza aqui no planeta Shao. Neste momento enquanto eu estou escrevendo este post eu estou simultaneamente lavando roupa (o que quer dizer que a máquina está lavando a roupa), e ao mesmo tempo estou assistindo (e gravando, eu gravo ela em mp3 para colocar no meu celular para poder ouvir no trabalho durante a semana quando não tem gente para atender e quando meus colegas de trabalho param de falar comigo) a vídeo aula da pós graduação.

Shao como vc pode assistir uma aula e escrever um blogue ao mesmo tempo. Eu sou uma pessoa multitarefa, eu consigo prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo. Uma coisa que eu aprendi fazer na época do meu Ensino Médio. Quando meus irmãos estavam numa idade terrível, que eles pulavam o dia todo parecendo duas pipocas e não tinhas descanso um instante… eu aprendi a estudar com barulho, com gente pulando e gritando perto de mim. E ainda conseguia prestar atenção no que eles estavam fazendo para eles não se machucarem, e de vez em quando tinha que prestar atenção na minha mãe também que queria ficar conversando comigo… e esta é uma habilidade que eu carrego comigo até hoje.

Graças a Deus, porque  hoje em dia vivemos numa sociedade que exige que sejamos capaz de executar varias tarefas simultaneamente. Para mim é super útil porque assim eu estudar em qualquer momentinho livre que eu tenha, sem que muita coisa me atrapalhe. Porque vamos e convenhamos… é extremamente irritante quando vc está tentando entender um conceito complicado de gramática (ou do que quer que seja que a gente esteja estudando) e vc tem que parar para prestar atenção em outra coisa, e sempre tem alguma coisa para te atrapalhar…

Claro que eu não sou um extraterrestre e às vezes quando o conceito é bem complexo eu preciso de silêncio, e tenho que me concentrar mais para entender. Mas felizmente é raro isso acontecer. Então é isso… chega né??? Bora pro tema do post???

Então… antes do dia da premiação do Oscar eu tentei assistir a maioria dos filmes que estavam concorrendo nas quatro categorias principais que são… Melhor ator, melhor atriz, melhor filme e melhor diretor. Geralmente eu tento ver tb todos os concorrentes de melhor roteiro original e adaptado, mas este ano eu não ia ter tempo… eu não consegui ver todos os que eu me propus a ver. Primeiro por falta de tempo mesmo, segundo porque alguns filmes eu achei a temática nada interessante então me deu preguiça mesmo hahahahahaha.

Mass alguns filmes eu consegui ver. E um deles foi este… “A Danish Girl” em inglês, “A Garota Dinamarquesa” em português (ufa, finalmente uma tradução decente de título de filme) e mano… que filme triste!!! Hoje em dia… eu detesto filme triste… Estranho porque antigamente eu costumava gostar de filmes de drama. Mas ultimamente eu tenho tentado evitar filmes de dramas com finais tristes que me deixam deprimida depois que eu assisto.

Se vcs não assistiram o filme ainda melhor não ler daqui para frente porque eu certamente vou soltar spoilers, muitos e muitos… eu praticamente vou contar o plot do filme… então corram para as colinas quem não gosta de spoilers. Vão ver e depois voltem para ler o resto do post. Mas antes de partir do post vou avisando… é triste (vc já disse isso Shao), preparem os lencinhos… é muito, muito triste…(tá, já sabemos…). Não me fez chorar mas me fez pensar… que merda de mundo mano… Para o mundo que eu quero descer!!

Agora, o que eu realmente achei do filme… Triste (Não??? Jura???). Eu não sei precisar para vocês o que foi mais triste (chega de falar triste Shao) no filme todo… Primeiro, o drama interior do personagem principal… que se descobre uma mulher presa no corpo de um homem. Isso… lá nos séculos passados… onde qualquer tipo de comportamento fora do padrão, do que era considerado normalidade, era tratado como doença mental e as pessoas eram trancadas em manicômios e tomavam choque até serem totalmente despidas da sua humanidade… 

Segundo o drama da esposa, pensa na situação da mulher naquela época. Naquela época a mulher não tinha alcançado status de cidadania igual ao dos homens (hoje em dia ainda lutamos para conseguir muitas coisas – mas imaginem naquela época, onde uma mulher sair de casa sozinha era um horror), as mulheres ainda eram, mesmo na Europa, cidadã de segunda classe (ainda são em muitos lugares do mundo – vejam no site da Anistia Internacional lugares onde as mulheres são tratadas como lixo)… Daí essa mulher se depara com seu marido, que ela amava de paixão, nesta situação e fica como diz o velho ditado, entre a cruz e a caldeirinha… Fica dividida entre apoiar o marido nas decisões dele, de se tornar uma mulher por completo… ou seja, fisicamente, porque ela o ama, e entregar ele nas mãos dos médicos que prometiam “tratá-lo” e “curá-lo” por medo de perdê-lo.

Ela também se depara com o medo de perder o amor dele para outra pessoa… talvez um homem, e perder ele de vez para essa mulher que surgia já que o homem que ela conhecera e por quem era apaixonada deixaria de existir. E ainda ela se ela apoiasse a decisão do marido de fazer uma cirurgia para se tornar mulher ele corria o risco de morrer. Ou seja, se a cirurgia desse certo e ele sobrevivesse ela o perdera porque ele deixaria de ser o marido que ela amava definitivamente. Se tornaria Lily… e ela certamente o perderia. Se a cirurgia não desse certo ele poderia morrer… e ela o perderia do mesmo jeito.

E o terceiro drama… ver o relacionamento dessas duas pessoas que se amavam sofrer tantos altos e baixos e não ter um final feliz. E pior… qualquer que fosse a saída que eles escolhessem qualquer uma delas estava fadada à infelicidade. Se ele abrisse mão de ser a mulher que ele sentia que era ele teria que abrir mão do seu casamento, e ele amava a esposa. Se ele permanecesse como homem, casado com a mulher que ele amava ele ficaria infeliz porque ele estaria vivendo uma mentira porque aquele não era ele de verdade.

Tem que amar muito uma pessoa para estar disposta a deixar de lado a sua própria felicidade porque vc sabe que disto depende a felicidade da pessoa que vc ama e é a única forma dessa pessoa ser completamente feliz. Deve doer pra caramba vc perceber que a felicidade da pessoa, que é parte da razão da sua felicidade está, longe de vc… a felicidade dela consiste em justamente vc fora da vida dela para sempre.

E o final do filme é triste (certo) pra caramba… ele escolhe fazer a cirurgia e se tornar Lily, e morre devido a complicações da cirurgia. E aqui a gente pensa… olha só o quanto essas cirurgias de mudança de sexo evoluíram no decorrer do tempo (a medicina em geral evoluiu pra caramba). Cirurgias assim antigamente matavam as pessoas. Era uma questão de… continuar vivendo com aquela dor interna, ou se arriscar a morrer numa cirurgia que era um experimento incerto.  Eu me pergunto, quantas pessoas não morreram até que as técnicas usadas hoje em dia fossem aperfeiçoadas?

Eu vi vídeos no YouTube… que mostram essas cirurgias hoje em dia e eu pensei… mano deve doer pra caramba se recuperar de uma cirurgia dessas. Não precisa nem ir muito longe, vc pega uma cirurgia plástica qualquer… o pós operatório é dolorido pra caramba!!! Imagina vc fazer várias cirurgias, para transformar o seu corpo… mudar de gênero… impensável!!! Euzinha aqui nem quis colocar aparelho nos dentes porque dói… imagina uma cirurgia dessa magnitude???

Mas, voltando ao filme… E então depois que ele morre… ela fica sozinha e até o final de vida dela nunca mais ela se casa, nunca mais se apaixona por ninguém… e ela era pintora, ela eternamente vai pintar quadros sobre ele/ela. Então gente, eu sei que já disse isso trezentas vezes mas é um filme triste, triste, triste pra caramba… se vc não quer ficar deprimido não assista. Ahhhh Shao mas eu gosto de drama e às vezes é triste mas é bonito… okay, vc é estranho…

Entretanto… apesar de toda a tristeza é um filme bem impactante e faz vc olhar de um modo diferente para as pessoas que estão passando por esta situação… as pessoas que sofrem de transtorno de gênero. E o filme reflete bastante a angústia dessas pessoas e me deixou bastante agoniada também.

Eu não consigo imaginar o quão desesperador deve ser passar por isso. Acredito que uma pessoa que nunca passou por isto não tem como mesurar, não tem como compreender de verdade isso… A gente pode apenas ter uma ideia, assim bem de longe. E o filme passa bem essa ideia da angustia, da agonia, do desespero que deve ser… Imagine, vc preferir morrer do que continuar vivendo daquela maneira… imagine o tamanho do desespero da pessoa.

Neste sentido o filme tem um papel social bastante útil, porque se vc assistir com o coração aberto diminui um pouco o peso da discriminação em cima dessas pessoas que já devem estar sofrendo tanto interiormente.

Última observação sobre o filme… atuações brilhantes de Alicia Vikander (atriz sueca, levou muito merecidamente o Oscar de melhor atriz coadjuvante, apesar de que eu acho que deveria ter sido indicada para melhor atriz… tamanha a importância do papel no filme) e do Eddie Redmayne (indicado para Oscar de melhor ator novamente…). Grande trabalho desses dois artistas, eles realmente conseguem passar pra vc os sentimentos dos personagens. Só por isso vale a pena assistir o filme. Fica aí minha indicação para vcs… 

Espero que tenham curtido este post… Vou terminando por aqui… Mas… antes de terminar este post eu vou fazer um pouco de propaganda do meu novo blogue o “Estante da Shao”. Cliquem no link conheçam meu trabalho, meus textos, meus contos, meus poemas. Toda a sexta-feira teremos texto novo e inédito para vcs… Ou um conto ou um poema, ou de repente um trecho de uma história que eu esteja escrevendo. Participe e divulgue esse meu novo projeto se vcs curtirem…

See you guys around the corner
Shao