Oi amiguinhos… quase uma da manhã e eu aqui, ouvindo Roxette e escrevendo. Estava assistindo aos jornais até agora. Vendo as manifestações contra os aumentos das passagens de ônibus. Sim, só assistindo… Protestos em todos os cantos do país… tendo o aumento das passagens de ônibus no cerne da reclamação, mas eu acredito que além disso o povo tá de saco cheio de ver milhões sendo gastos com a Copa do Mundo, para gringo ver, enquanto pagamos caro por tudo que necessitamos e temos de volta um serviço porco… literalmente…

Eu vejo esses protestos e a primeira coisa que me vem à mente é: Justo! Justíssimo!!! Devíamos fazer passeatas e protestos pela saúde, pela educação, pela diminuição dos salários dos Vereadores, Deputados, Senadores… Porque se tem essa grana toda para a Copa e para o salários desses senhores, deve haver também para atender as necessidades mais básicas da população, aquelas, descritas na Constituição… Certo?

Mas, peraí, não vamos perder o foco. O protesto é por causa das passagens… Então vamos tratar neste postzinho apenas desse assunto, porque se eu for falar de tudo vou escrever quinze volumes, vou morrer e a obra vai ficar incompleta.

Vou falar de São Paulo, minha cidade, porque desconheço a situação nas outras cidade. Se bem que não devem estar lá muito diferentes, talvez estejam piores se levarmos em consideração a arrecadação de SP perto de suas vizinhas, infinitamente menores.

São Paulo… é um mundo, a gente que mora aqui, às vezes esquece disso. Precisamos que um amigo venha de fora e nos diga: “Nossa, mas a Zona Leste fica muito longe da Zona Oeste”. Realmente… é uma viagem. Paulistano encara 45 – 50km como um passeio na casa da vó. Quem mora em cidades menores se espanta quando dizemos… ahhhh é só uma horinha e meia, duas horas de carro.

Vou contar um ‘causo’ pra vcs. Minha prima, nascida e crescida sm SP há muitos anos se mudou pra Minhas Gerais, mais especificamente para Poços de Caldas. Chegando lá ela, que não tinha carro, portanto tinha que pegar ônibus para ir trabalhar perguntou para uma vizinha se o lugar onde ela ia trabalhar era longe, a mulher vira pra ela e fala: Nossa, é longe por demais da conta… 15 minutos de ônibus. Minha prima, paulistana até o ultimo fio de cabelo respondeu pra mulher que longe levar três horas para atraverssar SP de Itaquera a Santo Amaro, pegando ônibus, trem e metrô… que 15 minutos ela nem pegava o ônibus, que ela ia a pé mesmo.

Não sei se minha prima até hoje vai a pé pro trabalho, talvez depois de tantos anos ela tenha mudado de opinião. Mas, eu contei esse caso só para ilustras as diferentes perspectivas e como para nós, paulistanos, nada é longe… Uma viagem de seis horas de carro… é logo alí pra gente. Que vc vai com a galera, pára duas vezes no caminho troca de motorista e vai rindo. Longe são dois dias na estrada pro Nordeste, ou pro Pantanal pra casa daquela prima da sua mãe, pra chegar lá e a cidade ser tão pequena que vc dá duas voltas nela de bicicleta em menos de meia hora (um dia eu ainda conto essa história do Pantanal pra vcs).

Mas voltando ao protesto, a condução aqui é uma porcaria, pagávamos três reais, para, sair de casa cedo ir espremido, dar mal jeito nas costas e ainda chegar atrasado e todo suado no trabalho. Não importa se é metrô, trem, ônibus, carro, bicicleta… todos tem seus contras…

Eu por exemplo… meu trabalho fica a oito quilômetros de distância… o que são oito quilômetros? Nada! Quando eu saio pra correr na praça aqui perto de casa ou corro na esteira mesmo… faço fácil dez quilômetros sem me cansar em uma hora, uma hora e meia… Mas quando eu ia trabalhar de ônibus, eu demorava uma hora e quarenta para chegar no trabalho, e duas horas e meia pra chegar em casa.

Primeiro que até passar um ônibus vazio pra eu poder entrar lá se iam uns quarenta minutos, depois eu tinha que pegar outro ônibus no meio do caminho… mais uns 20 minutos esperando vir um vazio. Depois eu tinha que andar mais 1km subindo uma pequena ladeira porque o segundo ônibus me deixava na avenida perto da rua do meu trabalho. Ah e também tinha o trânsito, as brigas dentro do ônibus, e tambem tinha as vezes que o ônibus quebrava, ou as vezes que eu tava com tanto sono que pegava o ônibus errado e em vez de ir pro centro ia pra São Mateus…

Na volta, ainda pior… todo mundo na maior pressa pra voltar pra casa. Cansei de ver brigas na fila do terminal pra ver quem entrava primeiro… eu sempre levava um livro comigo, encostava no ponto e ficava lendo até vir um vazio, porque eu não tenho filho pequeno para pegar na escola, não tenho que fazer janta pra marido e não assisto novela, claro que eu estava cansada, mas eu não tinha pressa pra chegar em casa. Minha mãe e meus irmãos não iam descontar do meu salário se eu chegasse em casa mais cedo, então eu sempre me permiti esperar um ônibus mais vazio para eu dar um descanso para as minhas costas que os dois ônibus da manhã já tinham zuado.

Raramente, tanto na ida quanto na volta, eu ia sentada. E geralmente quando eu conseguia me sentar, carregando aquela mochila pesada com o Vade Mecum, aparecia uma senhora idosa e eu não tinha coração de ficar sentada e a velhinha em pé… Resumindo, pagávamos três reais, por um serviço que na melhor das hipóteses é precário. É caro! Na boa, eu pagaria 5 reais se os ônibus fossem novos e estivessem sempre vazios. E agora aumentaram para R$3,20 eu entendo e compartilho a revolta da população. Tem que protestar mesmo.

Mas tem mesmo que quebrar, pichar, jogar bomba??? Fico me perguntando se já chegamos nesse ponto… de confronto da população com a polícia. Se a resposta é sim, eu fico muito desapontada. Porque o pobre coitado do policial que está lá do outro lado também paga condução.

É uma coisa que eu enfrento todos os dias no meu trabalho. Mais de 200 pessoas por dia, reclamando (e com razão) do aumento abusivo do IPTU. Mas eles vem na Prefeiturolândia e querem matar a gente, eles se esquecem que quando saímos do trabalho, encaramos a mesma condução zuada e que no final de cada mês também temos que pagar o malfadado IPTU.

Eu não acho que protestos violentos sejam a solução. O policial (assim como eu que tô lá tirando a segunda via do IPTU da população) recebemos ordens de cima. A pessoa chegar e me xingar, ou jogar pedra nos policiais, atear fogo nos ônibus, pixar os prédios públicos, não resolve o problema. Tinham que TODOS, policiais, funcionários, públicos, empresários, cruzarem os braços e irem pras ruas fazerem protestos pacíficos.

Nos países, que os Brasileiros querem seguir o exemplo, quando é decretada GREVE GERAL. TODOS participam. Aqui não existe essa unidade. É bacana ver 10 mil pessoas em SP e mais 10 mil no RJ protestando, exigindo o seu direito… não é legal ver POVO vs POVO enquanto FACISTAS como o ALCKMIN e os demais políticos salafrários vão de helicóptero para casa porque o trânsito tá parado, ver policiais, jornalistas, estudantes sangrando… se enfrentando bestamente.

As passeatas de hoje me pareceram cenas do National Geographic. Sabe, quando a matilha de lobos ataca as ovelhas e elas ficam perdidas, sem saberem pra onde correr… e se espalham, um montinho para cada canto. Tanto a polícia quanto os manifestantes eram bem ovelhas, correndo feito tontos, uns tendo que obeder ordens para manter os manifestantes longe da Avenida Paulista e os outros, sem saber exatamente como se posicionar com unidade para fazer o protesto.

Enquanto os governantes, sentam em cima da grana e batem o pé dizendo: Não voltaremos atrás! Se polícia e manifestantes, ambos, se identificassem numa unidade como POVO Deporia os Governantes… Isso sim seria algo a se aplaudir.

Do jeito que as coisas aconteceram… só há que se lamentar…

See you guys around the corner
Shao