Esses dias atrás eu li este texto da Eliane Brum na coluna dela na Revista Época de 18/10/2010 e achei muito bacana… Aliás é uma coluna que eu leio sempre porque que gosto muito do estilo e da escrita dessa jornalista. Em pensar que tem tantos jornalistas que escrevem mal, mas tão mal que dá vontade de arrancar os cabelos, e mesmo fazendo faculdade, imagina agora que não precisa mais… em breve estaremos esbarrando com o Miguxês em publicações antes renomadas.

Um amigo meu jornalista me motrou um texto dele que falava de política, antes do primeiro turno, porque ele queria publicar sei lá onde. E a construção textutal dele estava tão desconexa e confusa que eu tive vontade de arrancar a minha perna e bater com ela nele… mas não havia tempo hábil de corrigir o treco. Não estou sendo prepotente, Deus sabe que meus textos estão sofríveis ultimamente. Você fica 5 anos estudando leis e a gramática, a redação acabam ficando em segundo plano… não é à toa que os textos legais são tão confusos. Sou totalmente a favor de ter aula de redação e de língua portuguesa do primeiro ao último ano da faculdade de Direito (entre outras) porque onde já se viu??? Operadores de Direito incapazes de escrever claramente… está cheio por aí…

Depois fica aquele monte de juridiquês no texto, que a gente tem vontade de arrancar os cabelos (eu principalmente). E de repente eu estudante me deparo com operadores de direito que dizem de boca cheia que são a favor de abandonarem-se as expressoes latinas e adotar exclusivamente o uso do vernáculo (que, para quem não sabe, quer dizer a lígua pátria, no nosso caso a língua portuguesa). Ah tá cara pálida… você fala isso e na mesma entrevista defende o sentido erga omnis da legislação brasileira. Erga omnis é latim e quer dizer, ao pé da letra “para todos os homens”. Se vai defender o uso do venáculo pelo amor de Deus não usa a expressão em latim criatura…

Mas não era disso que eu ia falar… o texto fala de morte, de luto, perda… mais especificamente da perda da mãe ou de alguém muito importante… bateu bem de frente comigo. É engraçado se reconhecer num texto, eu sempre me espanto com esse poder de tocar dentro do ser humano que as palavras tem. Deve ser por isso que eu amo tanto as palavras…

Um músico famoso, não me lembro qual agora, uma vez disse que as palavras não podiam expressar completamente os sentimentos do modo que a música e a arte podiam. Houve um tempo que eu pensava assim também. Eu estudava piano naquele tempo… Pode ser que ele tenha razão, mas os seres humanos são obras em andamento e hoje não tenho mais tanta certeza…

Palavras geralmente não são suficientes para expressar certos sentimentos, mas às vezes elas dão conta e se nos esforçarmos bastante é possivel transmitir nem que seja uma pequena parcela daquilo que estamos sentindo. É claro que não basta ler as palavras escritas, muitas vezes a pessoa que está lendo precisa também enxergar o que está sendo dito nas entrelinhas. O que é raro de acontecer, mas quando acontece é mágico.

Não, não e não… não é algo místico, sobrenatural, encontro de almas… blábláblá… quando uma pessoa se identifica com algo que leu num texto. É simplesmente a vida, felizmente ou infelizmente muitas pessoas durante o tempo em que vivem passam por experiências similares. Eu lembro de ter ouvido a minha avó dizer várias vezes durante a minha infância que atragédia iguala as pessoas. Eu sinceramente nunca entendi o que essa frase significava até bem pouco tempo atrás. Hoje eu entendo… mais ou menos.

Cada indivíduo é único mas o ser humano reage mais ou menos de forma parecida à certos sentimentos, à dor, à perda, à doença, à alegria… claro, umas pessoas são mais fortes que outras, umas caem em depressão outras não se entregam… mas como o texto da Eliane Brum diz, cada pessoa tem o seu tempo… não é que para uns a dor da perda seja maior que para outros é que cada um lida diferentemente com ela.

Mas eu me pergunto hoje em dia… o que realmente somos? Não estou nem sequer questionando o para onde vamos. Eu me pergunto realmente o que somos enquanto estamos aqui. Pais, filhos, nossas profissões, nossos sentimentos? Aquilo que vemos no espelho? Aquilo que dizem de nós? Como nos vêem… ou nem uma coisa nem outra e sim uma somatória de tudo isso e muito mais???

Mais uma daquelas respostas jamais respondidas? Filósofos acreditavam que éramos parte da poeria cósmica que formou o universo. Não sei se realmente somos, talvz nunca venhamos a saber, entretanto sei que o que deixamos… o que minha mãe deixou para mim, além dos meus genes claro, é a lembrança de quem ela foi para mim, tudo aquilo que ela me ensinou e que serviu de base para que eu me tornasse quem eu sou hoje. Seremos só lembranças quando nos formos?

Vou ficando por aqui. Não sei se eu consegui expressar aquilo que eu estava tentando. Provávelmente não.

See you guys around the corner
Shao