Faz tempo que eu não escrevo poesia mas esses dias saiu uma coisinha… meu irmão disse que é boa. Não acredito nele muito mas… de qualquer forma… lá vai…

Ainda sei… ainda posso…

Já caminhei por caminhos estranhos
Houve
dias que não reconheci as estradas
Já troquei passos trôpedos e me apeguei a
coisas tolas
Houve dias que tive certeza que era feliz
Já estive nesta
rua, com um sorriso estampado no rosto
Houve dias que acreditei nas pessoas e
nos sonhos
Já passei por esta esquina, com lágrimas nos olhos
Houve dias
que chorei amargamente

Já caminhei por tantos caminhos
Houve tantos
que nem posso contar
Já não reconheço meus passos
Houve passos outros que
não os meus?
Já não sou eu mesma, mas já não me assusta não ser
Houve um
tempo em que eu temia o nada
Já lutei bravamente e venci
Houve um tempo
que a vitória era importante

Já contei os dias ansiosamente
Houve dias
melhores dias piores
Já não preciso mais contar as horas, os dias, as
semanas
O tempo existe sem que eu precise existir
Já não passo as noites
em claro esperando o alvorecer
Ele vai estar lá mesmo que meus olhos não
estejam abertos para vê-lo.
Já não preciso dos grilhões do cotidiano
Houve
um tempo que eu era prisioneira dos meus sonhos

Hoje libertei-me deles,
de quem eu fui dos caminhos que trilhei
E mesmo que a vida me tenha quebrado
as asas
Eu ainda posso, eu ainda sei como voar

Ceres Xisto