Bom, pra tisteza deste coraçãozinho lusitano a Portuguesa perdeu do Ituano sábado no campeonato paulista… triste, mas… já tô acostumada. O dia começou mal tb ontem porque morreram dois filhos de uma vizinha nossa aqui num acidente de carro essa madrugada aqui perto. Meninos que a gente viu crescer… a mulher deve estar sofrendo muito, dois filhos de uma vez… anyway… não quero falar disso mais… muito deprimente.

Ora ajudar o clima deprimente choveu o dia inteiro. Aquela garoazinha tipicamente paulistana. Falando em paulistana… sexta-feira é feriado municipal, aniversário da cidade… e segunda, pra tristeza desta preguiçosa pessoa que vos fala, recomeçam as aulas… sinceramente… eu estou igual estava no fim do semestre passado, sem o menor pique de estudar. Pelo visto mais um semestre que vou empurrar com a barriga.

Bom, fora isso acho que nada de interessante aconteceu hoje, eu queria ter ficado na cama dormindo o dia todo, mas nem mesmo eu tenho tanto sono e eu tinha que lavar a roupa… aliás estou lavando… ainda não terminei… acho que por volta das oito ou nove hora eu termino. Pelo menos a resenha do Décimo segundo episódio da Princesa Guerreira eu terminei, tá online já!!!

Eu não esqueci de postar eu estava mesmo sem assunto mesmo… Machado de Assis também escrevia poesias… poucas… mas nem por isso mal escritas…

Uma criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira de abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo.
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e de egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto areal um vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois esta criatura está em toda a obra;
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;
E é nesse destruir que as forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a Vida.

Machado De Assis

Já li diversar vezes e cada vez que eu leio este poema encontro algo novo… toda a vez que eu falo de Machado de Assis me lembro da primeira vez que li Memórias Póstumas de Bráz Cubas… eu acho que fui a única adolescente na minha sala a achar engraçada a dedicatória dele ao verme que primeiro roeu as frias entranhas…

Nossa, eu fui trabalhar num desânimo hoje, eu sinceramente queria ter ficado em casa… agora tá um frio do caramba… acho que vou dormir… mas antes… uma musiquinha pra não deixar vcs no silêncio. Essa música é velha… não muito, mas é velha… tocou hoje de manhã no rádio enquanto eu me arrumava pra ir trabalhar.

Poetas

Ai as almas dos poetas não as entende ninguém;
São almas de violetas, que são poetas também.
Andam perdidas na vida, como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer, ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito, dores amargas e secretas
É que em noites de luar, pode entender por poetas
E eu arrasto amarguras que nunca arrastou ninguém
Tenho alma para sentir a dos poetas também!

(Florbela Espanca)


Ceres"Shao" Xisto


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