1) Faz tempo que não escrevo…
Nem uma música, nem um poema… a ultima coisa que eu escrevi foi uma redação chulé pra aula de Argumentação Juridica. De qualquer forma… vai um poema de minha autoria… pra matar a saudade dos velhos tempos… e bota velho nisso… nem sei quanto tempo faz que o escrevi.
 
O SONHO
Áureo, róseo, purpúreo, diáfano sonho.
Não escreva em meus olhos, ó secreto.
O que de ti não sei nem posso esconder.
Pois que me dominas em domínios freudianos.
Conforma-te em seres a branda neblina que sempre foste.
Não queiras realizar-te.
Não me exibas o brilho azul dos teus olhos.
Não me obrigues a mirar teu sorriso.
Não me amarres nos cachos dos teus cabelos.
Fica-te quietinho no meu inconsciente.
Não te pronuncies em altos brados.
Não batuques tão forte aqui dentro.
Meu rosto não há de transparecer que existes.
Que respiras, que vives em mim.
Hei de fitar com maior insistência a incolor realidade.
Já que as tuas mil cores me fazem alçar vôo incerto.
E eu não quero perder meu chão.
Não me estendas assim os braços.
Quando sabes que não me podes amparar da queda.
Não me ofereças as asas de Ícaro.
Não sou o tipo de árvore que solta suas raízes ao vento.
Minhas primaveras só florescem em terra firme.
Até minhas mais singelas folhas, embora já secas,
No outono só abandonam os galhos para alcançar o chão.
Tu fazes minhas estações rodarem sem sentido.
Pois ignoras o que seja tempo e espaço.
Tão pouco estás em mim, tão grande te tens feito.
Quantas linhas não estou agora mesmo a gastar contigo?
Quantos segundos da tua nebulosa existência gastaste comigo?
Nenhum…
Pois que não és tu, mas eu quem sonho.
 
Fui…